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Sessão na Assembleia de SP acaba em bate-boca entre ouvidor e deputados

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ROGÉRIO PAGNAN

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Terminou em intenso bate-boca a reunião entre o ouvidor da Polícia de São Paulo, Julio Cesar Fernandes Neves, e deputados da "bancada da bala" na tarde desta quarta-feira (14) na Assembleia Legislativa de São Paulo.

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A troca de insultos -aos berros- entre o ouvidor e os coronéis Álvaro Camilo (PSD) e Paulo Adriano Telhada (PSDB) só terminou com a intervenção do presidente da comissão de Segurança da Assembleia, o delegado Antonio Olim (PP), que cortou o microfone de todos e encerrou a sessão. Cada um dizia que o outro estava falando besteira.

O clima tenso da bancada da bala contra o ouvidor da Polícia, responsável pelo acompanhamento de casos de violência policial, teve início antes mesmo do início da sessão. Em vez de convite, como geralmente ocorre com pessoas ouvidas pela comissão, Neves foi convocado Comissão de Segurança para dar explicações sobre manifestações feitas por ele e não teria a opção de recusar.

O ouvidor abriu sua fala reclamando disso. "Ele demorou um pouco para vir e, por isso, foi convocado. Ele disse que não gostou, está no direito dele. Não foi massacrado, ele trouxe uma plateia que bateu palma para ele", afirmou o delegado Olim, que disse ter sido a primeira vez que convocou alguém para comissão.

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Telhada chegou a dizer que ele estava sendo "inquirido" ao querer obrigá-lo a responder uma questão.

"Foi uma convocação para intimidação. Mas nós, representando Dom Paulo Evaristo Arns, viemos aqui para deixar claro que o cidadão pobre, preto e da periferia tem voz aqui. Tem voz através do ouvidor", disse Neves ao final da sessão.

A citação ao religioso católico morto nesta quarta foi feita porque dom Paulo foi um dos idealizadores da criação da Ouvidoria em São Paulo, em 1995, com o apoio do governador Mário Covas (PSDB).

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Por mais de duas horas, tanto Camilo quando Telhada repetiam que não concordavam com o comportamento do ouvidor de dar entrevistas sobre casos com suspeita de violência policial antes mesmo da conclusão das investigações. "Ninguém aqui é contra a ouvidoria, ninguém é contra o senhor. Mas o senhor precisa mudar, deixar de fazer crítica sem o conhecimento da causa", disse Telhada uma das vezes.

Camilo repetiu inúmeras vezes que as entrevistas eram dadas por Neves de maneira "precipitada". "Mas eu, infelizmente, nunca errei das coisas que falei", rebatia Neves. O ouvidor teve apoio de deputados do PT que manifestaram apoio ao trabalho dele.

Camilo, ex-comandante-geral da PM, vem desde do ano passado fazendo ações contra o ouvidor e já chegou a pedir a exoneração dele ao governador Geraldo Alckmin (PSDB).

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Também é autor de um projeto de lei que pede mudanças na forma de escolha do ouvidor que, para o deputado, tem um "monopólio antidemocrático do Condepe [conselho estadual de direitos humanos]".

O PM nega que tenha convocação tenha sido uma intimidação.

"O ouvidor é uma função importante, tem que ter responsabilidade. Ele tem que se manifestar sabendo que sua palavra vai ter eco, e eco está fazendo hoje é colocar a população contra a polícia", disse Camilo à reportagem.

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Entre os vários momentos tensões e troca de gritos, um momento de humor ocorreu quando Neves questionou Telhada o significado da palavra "ombudsman".

O ex-comandante da Rota (grupo de elite da PM paulista) disse que não e respondeu dizendo que não tinha obrigação de saber porque não era norte-americano. "Mas essa é uma palavra sueca, coronel. O senhor tinha que ser sueco", respondeu o ouvidor, arrancando risos da plateia formada em parte por representantes dos direitos humanos e, também, por policiais aposentados.

"Ficou claro que o que queriam era constranger o ouvidor", disse o ex-ouvidor Antonio Funari Filho. "Foi muito bom que o ouvidor não se deixou constranger. Pelo contrário, ele teve uma atitude altiva de quem tem convicção do que faz", disse ele.

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