Justiça manda cúpula do PCC para regime mais rígido de prisão
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou nesta quarta-feira (14) a transferência de pelo menos 13 pessoas ligadas à cúpula da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) para o RDD (regime disciplinar diferenciado), sistema mais rígido de cumprimento de pena.
Entre eles, está Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, chefe da facção. Também constam na lista Antonio Jose Muller Jr., Paulo Cesar Souza Nascimento Jr., Paulo Pedro da Silva, Paulo Felipe Esteban Gonzales, Airton Ferreira da Silva, Wilber de Jesus Merces, Marcos Paulo Ferreira Lustosa, Daniel Vinicius Canônico, Eric Oliveira Farias, Marcio Domingos Ramos, Cleber Marcelino Dias dos Santos e Valdeci Francisco Costa.
O RDD é considerado o regime mais duro de prisão. Nele, os presos ficam isolados em celas individuais e só têm direito a duas horas diárias de banho de sol.
A decisão da Justiça atende a pedido da Polícia Civil de São Paulo e é um desdobramento da operação Ethos, deflagrada no último mês, que prendeu 35 pessoas por suspeita de ligação com a facção. Entre eles, o então vice-presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, Luiz Carlos dos Santos.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública de SP, Santos confessou ter recebido dinheiro da facção. Segundo interrogatório, o primeiro pagamento ocorreu em janeiro de 2015 por uma advogada identificada como Vanila, que teria envolvimento com a facção. O objetivo seria que o conselheiro utilizasse sua influência para convencer desembargadores sobre revisões de processos, o que foi recusado por Santos. Ainda assim, o pagamento de R$ 2.000 foi feito.
Santos afirma que tentou interromper os pagamentos e negou alguns dos pedidos feitos pelo grupo, mas foi ameaçado mais de uma vez e os pagamentos continuaram, sendo aumentados em várias ocasiões, chegando ao valor de R$ 5.000, que ele recebeu até o mês passado.
Entre os pedidos feitos pelo grupo, Santos teria tocado processos indicados por ele e passado relatórios regulares de ações em andamento. Ele ainda admite ter dado a dois advogados da facção carteiras de identificação do Conselho Ouvidor de Direitos Humanos, que Santos soube depois que eram usadas para eles acessarem presídios.
Ele também teria recebido determinação da organização para promover publicidade dos casos envolvendo violência policial, a exemplo das chacinas de Mogi das Cruzes, Carapicuíba e Osasco. Santos afirmou à polícia que temia ser preso desde maio de 2015.
