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Sob alegação de contrabando, Maduro anuncia fim da maior nota do bolívar

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou nesta segunda-feira (12) a retirada de circulação das cédulas de 100 bolívares sob a alegação de que as notas são contrabandeadas para a Colômbia.

Em discurso em seu programa de televisão, "Em contato com Maduro", ele disse ter tomado a decisão após uma investigação de dois anos que teria apontado a existência de depósitos de bolívares do outro lado da fronteira.

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Na versão do presidente, os depósitos estariam "nas mãos das máfias da Colômbia e do Brasil". "Armazéns inteiros de notas de 100 em Cúcuta, Cartagena, Maicao e Bucaramanga", disse, em referência às cidades colombianas.

Segundo o governo venezuelano, os depósitos seriam usados para inflar a cotação do bolívar em relação ao peso colombiano. A taxa, chamada de dólar Cúcuta, é usada pelo comércio como base para a importação de alimentos.

Maduro ainda acusou o Departamento de Estado americano de estar por trás da operação que, segundo ele, tem o propósito de "desestabilizar a nossa economia e sociedade. Deixar o país sem a nota de 100 bolívares."

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A cédula é a de maior denominação da Venezuela, embora valha R$ 34 pela cotação oficial -praticamente restrita a compras do governo- e R$ 0,06 no mercado paralelo, o mais usado pelos venezuelanos.

Isso faz com que os cidadãos do país tenham que andar com grandes quantidades de notas para fazer uma compra de supermercado, por exemplo.

Os venezuelanos vão poder trocar as notas em dez dias a contar da próxima quinta (15). A segurança nos bancos será reforçada, assim como na fronteira, para impedir a entrada das cédulas que estão no exterior.

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A situação poderá ser amenizada a partir da quinta, quando começa a circular a nova família de moedas e notas do bolívar. Neste caso, as cédulas serão de 500, 1.000, 2.000, 5.000, 10.000 e 20.000.

OPOSIÇÃO

O fim da nota de 100 levou a críticas da oposição, que reprova a forma como Maduro combate a crise financeira do país, afetado pela baixa do preço do petróleo e pelo desabastecimento no comércio.

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O deputado Juan Guaidó ironizou a situação. "Maduro conseguiu o que parecia impossível. Hoje as cédulas do Banco Imobiliário valem mais do que qualquer bolívar", disse.

Nesta segunda, a Assembleia Nacional, dominada pelos adversários do governo, anunciou que fará na terça (13) a primeira votação do julgamento político de Nicolás Maduro.

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