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Número de mortes no trânsito no país sobe 3,2%

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O número de vítimas em acidentes de trânsito subiu 3,2% em 2014, segundo os dados mais recentes divulgados no Retrato da Segurança Viário, obtido com exclusividade pela Folha de S.Paulo.

A quantidade de feridos também cresceu 5,9% no mesmo período. O resultado vem após uma queda entre 2012 e 2013 de 5,7% no número de mortes.

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O estudo, em sua terceira edição, tem como principal base os dados do Datasus (Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde), que possui um atraso de dois anos em sua divulgação.

Ele faz um cruzamento também com estatísticas da ANTP (Associação Nacional dos Transportes Públicos), Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e OMS (Organização Mundial da Saúde). Os números são analisados a partir de 2003.

Para Daniel Oliveira, consultor da Falconi, que realiza o estudo com a Ambev, e gerente responsável pelo Retrato da Segurança Viária 2016, a defasagem das estatísticas apresenta um problema para atacar as causas desse aumento.

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"É complicado também que os dados estão em um grau macro e não ultrapassam o limite do município", completa sobre a dificuldade de descobrir o porquê do aumento.

Segundo ele, um dos motivos seria o aumento da frota de veículos no Brasil, que subiu 137% desde 2013. "Quanto mais carro na rua, maior o risco de acidente e maior o risco de óbito."

O consultor pondera, no entanto, que as causas podem estar a relacionadas a diferentes fatores, como culturais e de infraestrutura. "Não é uma falha, é uma sucessão. Não existe bala de prata [para solucionar a violência no trânsito]."

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QUEM SÃO AS VÍTIMAS

As principais vítimas são os motociclistas, que passaram a corresponder a 37% dos acidentes com mortes em comparação a 2003, quando representavam 19%. O número de feridos no mesmo período aumentou quatro vezes, passando de 31.073 para 119.846.

Os acidentes fatais com pedestres, que antes eram maioria, agora são 24% dos ocorridos, abaixo ainda dos com carros, que representam 32%. Bicicletas correspondem a 4% e ônibus e caminhões, 3%.

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As mortes se concentram, principalmente, no Sudeste, com 15.603 vítimas, seguida do Nordeste (13.430), Sul (6.945), Centro-Oeste (4.725) e Norte (3.768).

A região mais populosa do país, no entanto, é a mais segura na análise de mortes versus população, na qual registra 18,3 a cada 100 mil habitantes. Nesse ângulo, o maior perigo está no Centro-Oeste, com taxa de 31 mortes a cada 100 mil habitantes.

NA CONTRAMÃO

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Com base em dados mais recentes, o Movimento Paulista de Segurança no Trânsito mostra que o aumento de 6% de vítimas fatais no Estado de São Paulo entre 2013 e 2014 já começou a ser revertido.

Segundo o Infosiga, banco de dados criado e mantido pelo movimento, no acumulado de janeiro a outubro deste ano houve uma queda de 6% no número de morte, em relação ao mesmo período de 2015.

O movimento reúne empresas privadas e o governo do Estado para combater a violência no trânsito. Em um primeiro convênio de R$ 10,5 milhões, o foco foi em 15 municípios, onde foi feito um diagnóstico para combater as causas.

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"O Estado é responsável pela jurisdição das rodovias estaduais, que são 22 mil quilômetros", explica Silvia Lisboa, coordenadora do movimento. "No município, não existe jurisdição, então foram estabelecidos convênios."

Segundo ela, esses convênios são importantes, pois 65% das mortes em São Paulo ocorrem em vias urbanas. A coordenadora afirmou que mais R$ 100 milhões serão investidos no programa para a expansão em outros 52 municípios.

Silvia atribui o sucesso à integração de dez secretarias em uma força-tarefa. "O trânsito é muito complexo para tratar de forma individual. 94% dos acidentes acontecem por falha humana", afirma.

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