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Ante boatos, pais de vítimas de massacre em escola viram alvo de ódio

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ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER

NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - A onda de notícias falsas que varre a internet atinge famílias das vítimas de Sandy Hook, escola em Connecticut onde, em 2012, um jovem de 20 anos disparou mais de 1.400 tiros em cinco minutos, matando 20 alunos e seis adultos.

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Há, contudo, quem esteja convencido de que o massacre nunca aconteceu -e esses céticos perseguem, com mensagens de ódio, pais de crianças mortas naquele dia, chamados de "farsantes".

O ataque completa quatro anos no próximo dia 14. Nesta quinta-feira (8), o pai de Noah, que tinha seis anos quando morreu, deu uma entrevista à CNN sobre mensagens de voz deixadas em seu celular.

"Elas são muito intensas... Ainda lembro do frio na espinha escutando os recados", disse Len Pozner, sem especificar o conteúdo. Ele criou uma organização, Honr, para combater a disseminação de conteúdos falsos que se travestem de notícia real.

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Noah usava uma camisa do Batman quando foi morto -os médicos o encontraram com o rosto para cima, sem queixo. Seu pai só aceitou dar entrevista por telefone, sem dizer onde estava, pois diz querer se preservar após receber ameaças de morte.

Detratores o chamam de "fraudador", afirmou seu pai. O âncora da CNN Anderson Cooper, que cobriu o massacre em 2012, lembrou que até hoje dizem que ele foi cúmplice do governo na "farsa de Sandy Hook".

A emissora, segundo adeptos da tese da farsa, sequer teria ido a Connecticut: teria usado um painel verde e, depois, introduzido digitalmente imagens de Sandy Hook para fingir que Cooper estava na cena.

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"Deixem-me ser claros: suas alegações são insanas", disse o jornalista ao vivo, em seu programa "AC360".

Uma das teorias da conspiração mais populares sobre Sandy Hook: o governo do democrata Barack Obama forjou o caso, para pressionar a aprovação de leis que fortaleçam o controle de armas.

Essa negação faz parte do zeitgeist atual, no qual a boataria frequentemente se sobrepõe à realidade. O fenômeno levou o dicionário Oxford a eleger como palavra de 2016 "pós-verdade" ("circunstâncias em que os fatos objetivos têm menos influência sobre a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais").

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Mentiras foram uma das forças que tomaram como refém a corrida presidencial dos EUA neste ano -com consequências que muitas vezes extrapolam a arena das redes sociais.

No começo da semana, um homem entrou numa pizzaria de Washington com um rifle, para "investigar" a notícia -obviamente falsa- de que o local servia de fachada para uma rede de prostituição liderada pela ex-presidenciável democrata Hillary Clinton.

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