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Tortura é aceitável para 46% dos americanos, diz pesquisa da Cruz Vermelha

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PATRÍCIA CAMPOS MELLO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os americanos se sentem mais confortáveis com o uso de tortura em guerras do que cidadãos de países em conflito como os afegãos, sírios, iraquianos e sudaneses do sul.

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Nos Estados Unidos, 46% acreditam que um inimigo capturado possa ser torturado para se obter informações importantes, enquanto 30% acham que não. O número só é inferior ao da Nigéria (70%) e Israel (50%).

Esses são alguns dos resultados do levantamento "Vozes da Guerra", uma pesquisa do CICV (Comitê Internacional da Cruz Vermelha) com mais de 17 mil pessoas, realizada entre junho e setembro de 2016, em 16 países.

Dez dos países estavam passando por conflito armado na época que a enquete foi feita, entre eles Iraque, Afeganistão, Sudão do Sul, Nigéria, Palestina.

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Foram ouvidas também pessoas nos cinco países que são membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (França, Estados Unidos, China, Rússia e Reino Unido) e na Suíça.

A pesquisa mostra que a tolerância ao uso da tortura vem aumentando -em 1999, 66% eram contrários à tortura, número que caiu para 48% no levantamento atual.

"O clima de medo dos últimos 5 a 10 anos fez com que o tabu em torno do uso da tortura diminuísse; as pessoas acreditam estar sob ataque constante, por isso, para eles, qualquer meio de defesa é permitido", disse à Folha Vincent Bernard, editor-chefe da publicação oficial da Cruz Vermelha.

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A pesquisa traz também dados animadores. Para 82% das pessoas, atacar hospitais é inaceitável, e para 67% as convenções de Genebra são importantes para impor limites à guerra.

As convenções de Genebra têm como objetivo a proteção de civis, prisioneiros e feridos durante conflitos. A legislação humanitária estabelece que não se podem atacar hospitais e profissionais de saúde durante guerras; é necessário permitir a entrada de medicamentos, são vedados o ataque a cidades desprotegidas, a tortura ou tratamento desumano de prisioneiros.

Nos últimos anos, as leis humanitárias vêm sendo sistematicamente violadas, especialmente no conflito da Síria, onde hospitais frequentemente são alvo de bombardeios, e civis têm acesso bloqueado a medicamentos e alimentos.

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Com os conflitos atingindo níveis chocantes de brutalidade, muitas pessoas passaram a achar que a morte de civis é parte inevitável da guerra. Em 1999, data da pesquisa anterior da Cruz Vermelha, 68% dos entrevistados achavam que atacar inimigos em cidades populosas como forma de enfraquecer seu oponente, mesmo sabendo que levará à morte de muitos civis, é errado, e 30% achavam que era simplesmente parte da guerra. Em 2016, 59% disseram que é errado mirar cidades cheias de civis, enquanto 34% acreditam que é parte do conflito.

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