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Após apelo presidencial, premiê italiano deve adiar sua renúncia

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DIOGO BERCITO

MADRI, ESPANHA (FOLHAPRESS) - O primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, reuniu-se com o presidente Sergio Mattarella nesta segunda-feira (5) e apresentou a sua demissão, já anunciada na véspera.

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Mattarella pediu, no entanto, que Renzi adie sua renúncia até depois da aprovação do orçamento de 2017, o que pode acontecer já na sexta-feira (9). O atraso deve agravar a incerteza política.

Renzi renunciou ao cargo após ter sido derrotado no referendo de domingo (4), cumprindo a ameaça feita durante a sua campanha.

O resultado da votação foi lamentado ao redor do continente como mais um sinal da crise política. Os partidos populistas, no entanto, celebraram a vitória do "não".

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O presidente Mattarella deve se reunir com os principais partidos políticos depois da demissão de Renzi para nomear o substituto -que deverá permanecer no posto durante a transição. O processo pode durar semanas.

Há nomes cotados para o cargo, como os ministros Pier Carlo Padoan (Finanças) e Dario Franceschini (Cultura). O resultado dependerá, porém, dos acordos políticos.

O Partido Democrático, de Renzi, e o Força Itália, do ex-premiê Silvio Berlusconi, preferem a formação de um governo sem convocar novas eleições. O pleito está, por ora, previsto para 2018.

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Mas o movimento antissistema Cinco Estrelas e o Liga Norte, xenófobo, têm pedido que haja eleições antecipadas, o que lhes beneficiaria.

Eles têm pressa porque as leis eleitorais podem ser modificadas antes do pleito de 2018, ameaçando as suas ambições políticas. Com a regra atual, o vencedor das eleições recebe a maioria automática no Parlamento.

INCERTEZA

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O resultado do referendo foi recebido com desalento por governos europeus e pelos mercados globais. Há ansiedade em relação aos bancos italianos, que poderão precisar ser resgatados.

Frank-Walter Steinmeier, ministro das relações exteriores da Alemanha, disse que o resultado representa uma "preocupação".

A derrota de Renzi foi, porém, comemorada por políticos como Marine Le Pen, do partido francês de extrema-direita Frente Nacional.

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Os italianos teriam, segundo Le Pen, se somado "à lista daqueles que querem dar as costas às políticas absurdas que estão mergulhando o continente na pobreza".

Há temor de que a Itália, em crise, conteste sua participação na União Europeia durante os próximos anos.

O movimento populista Cinco Estrelas, assim como a Frente Nacional, é avesso à integração europeia e poderia desencadear uma crise no bloco europeu -somando-se ao "brexit", a decisão britânica de separar-se da UE.

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Mas o referendo italiano não estava diretamente vinculado à União Europeia. Esse tema não foi votado pelos cidadãos. Parte deles votou no "não" como maneira de punir o governo, em meio à estagnação da economia.

SENADO

A reforma constitucional proposta pelo premiê Renzi, rejeitada por 59,1% dos votos, teria sido a maior mudança na Constituição italiana desde o final da Segunda Guerra (1939-1945).

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O texto propunha simplificar a burocracia do país, acelerando a aprovação de leis.

O principal ponto em discussão era a redução do Senado em número de senadores e em poderes. A paridade entre Senado e Câmara é criticada pelo governo como um entrave a suas políticas.

Renzi propunha que o número de senadores passasse de 315 a 100 e que a Casa não pudesse mais dissolver governos ou aprovar orçamentos. O Senado deixaria de aprovar leis, salvo nos casos em que houvesse uma modificação na Constituição.

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