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Há 15 anos, 'Front' aproveitou recursos da era digital para impulsionar HQs

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - De um grupo on-line povoado por cartunistas, ilustradores, quadrinistas, caricaturistas e chargistas nasceu o "Front", um dos primeiros álbuns de quadrinhos elaborados coletivamente pela internet no Brasil, tendo seu primeiro exemplar publicado há 15 anos.

"Era uma época em que desenhistas estavam começando a usar a internet de uma forma mais forte, profissionais do país todo começaram a conversar nesses grupos", conta Orlando Pedroso, um dos fundadores da publicação, que ganhou edição comemorativa em 2016.

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No grupo, discutiam a vontade de fazer uma publicação que se desvencilhasse das amarras do mercado editorial da época: autores queriam ser donos e editores dos próprios trabalhos. "Reunimos desde novatos a pessoas que já eram do mercado, mas não tinham onde publicar, acabou sendo um laboratório bastante interessante", conta Pedroso.

A ideia pode parecer trivial em tempos de financiamento coletivo, mas Pedroso conta que os caminhos para a autopublicação eram ainda inexplorados nos anos 2000. "Hoje você tem coletivos, [plataformas de financiamento] Catarse, nessa época não tinha absolutamente nada", diz.

Inicialmente, autores pensaram no formato de revista e se propuseram a arcar com os custos da publicação, mas receberam uma proposta da editora Via Lettera, que passou a editar o projeto em formato de livro.

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Como a maioria dos articuladores vinha da imprensa, havia um olhar crítico sobre a profissão. Entre as propostas do grupo, estava a de repensar aspectos das histórias em quadrinho que eram veiculadas na época, vendidas, principalmente, em bancas de jornal.

"Criticávamos de várias formas o quadrinho ser muito masculino e também machista, tanto buscando temáticas diferentes de livro, quanto buscando autoras de quadrinho, o que era muito difícil na época", conta Henrique Kipper, um dos fundadores e editores da publicação.

"O meio de quadrinho daquela época tinha uma dinâmica interna de afastar autoras, que acabavam migrando para outras artes gráficas. Então a passagem da leitora para autora era muito complicada até o começo do século 21", lembra.

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Figuraram na "Front" autoras como Janaina Veneziani, Jinnie Anne Pak e Maria Eugênia. À elas, juntaram-se nomes como Caco Galhardo, André Kitagawa e os próprios editores, Pedroso, Kipper e Gilberto Maringoni.

A publicação teve 13 edições impressas entre maio de 2001 e dezembro de 2007, além de uma edição especial, em 2008, e outra comemorativa, lançada neste ano.

Para Kipper, contar a história da "Front", mesmo 15 anos depois, serve para recuperar o debate sobre a tradição do quadrinho brasileiro. "Não é uma mera importação e também não está muito em alta, mas é um certo jeito de fazer que precisa ser relembrado", diz.

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FRONT 15 ANOS - UMA HISTÓRIA

ORG.: Henrique Antônio Kipper, Orlando Pedroso, Gilberto Maringoni

EDITORA: Via Lettera (160 págs.)

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QUANTO: R$ 33

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