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Com medo de impacto de chuvas, comércio banca limpeza de lixo em SP

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THIAGO AMÂNCIO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Bem em cima de uma boca de lobo, sacos de lixo rasgados, caixas de madeira molhadas e até uma almofada que parece estar se decompondo jazem há pelo menos uma semana na rua Pais Leme, próximo à estação Pinheiros do metrô, na zona oeste de São Paulo.

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Mesmo o vento mais fraco consegue levar as garrafas e copos plásticos do monte em direção ao bueiro, o que causa entupimento e dificulta o escoamento da água em dias de chuva, como esta segunda-feira (28), em que córregos transbordaram e deixaram alagadas áreas da zona leste da capital paulista. No aeroporto Campo de Marte, na zona norte, foram registradas rajadas de vento de 46 km/h por volta das 17h.

O acúmulo de lixo tem piorado nas últimas semanas, diz João Luís Correia, 48, dono de um restaurante de frente à pilha. "Sempre foi assim, vêm carroceiros, deixam o entulho aqui no fim de semana e o lixo fica por dias. Antes a prefeitura recolhia logo. Agora demora mais de uma semana", diz ele, que reclama que o lixo pode afugentar seus clientes.

No mesmo local, donos de um café precisaram pagar, por conta própria, a limpeza de uma área verde que fica cheia de entulho com frequência. "É até foco de dengue", diz Ariane Mantoanelli, 34, uma das donas do local. "A prefeitura não vem aqui recolher e, para não colocar meus funcionários nem meus clientes em risco, a gente mesmo paga por isso", diz ela, que fez a última limpeza há cerca de 15 dias.

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Conforme a Folha de S.Paulo mostrou neste mês, a quantidade de lixo varrido nas ruas pela gestão Haddad (PT) vem caindo ano após ano -foram 133 mil toneladas em 2012 (último ano da gestão Kassab), 118 mil em 2013, quando Haddad assumiu, 113 mil em 2014 e 107 mil em 2015. O número de reclamações na Ouvidoria relacionadas à limpeza pública, por sua vez, saltou de 407 para 777.

Cidade dos alagamentos

Moradores da região também se mostram incomodados. "O que não devia era deixar colocarem aqui. Depois a prefeitura tem que ficar correndo atrás para limpar sujeira dos outros", diz um senhor que não quis se identificar. "A sorte é que aqui não enche, porque a água escorre para o rio [Pinheiros]."

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A situação é parecida em bairros como Higienópolis, Santa Cecília e Campos Elíseos, na região central da cidade, onde sacos de lixo rasgados permitem que a sujeira se espalhe e impeça o escoamento de água em bueiros e bocas de lobo.

A Prefeitura de São Paulo não respondeu aos questionamentos da reportagem até a publicação deste texto.

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