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ATUALIZADA - Morre Fidel Castro, aos 90 anos

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SÃO PAULO, SP, E HAVANA, CUBA (FOLHAPRESS) - O ditador cubano Fidel Castro, 90, que por cinco décadas desafiou o poder americano com a criação de um Estado comunista às portas dos EUA, morreu na sexta-feira (25) em Havana.

O anúncio veio em pronunciamento na TV estatal pelo irmão e sucessor, Raúl Castro.

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"É com profunda dor que venho a informar ao nosso povo e aos amigos das Américas e do mundo que hoje, 25 de novembro, às 22h29 [horário de Havana], morreu o chefe da Revolução Cubana, o comandante Fidel Castro."

Segundo Raúl, os restos de Fidel seriam cremados neste sábado (26), e as cinzas, levadas desde Havana até Santiago de Cuba (onde fez o anúncio da vitória da revolução, em 1959), em caravana prevista para quarta-feira (30). O funeral será no domingo (4), em Santiago de Cuba.

O anúncio provocou festa entre exilados cubanos em Miami e manifestações de pesar de parte da comunidade internacional.

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Em Cuba, enquanto alguns comemoravam pelas ruas, outros lamentavam a morte do ditador, visto como herói por parte da população.

Raúl não deu detalhes sobre os motivos da morte, mas os problemas de saúde de Fidel eram cada vez mais evidentes. Na sua última aparição pública, em agosto, para comemorar seu aniversário de 90 anos, ele dava claros sinais de fragilidade física.

Em 2006, após cirurgia no intestino, Fidel licenciou-se do cargo e colocou seu irmão Raúl Castro no lugar. Dois anos depois, anunciou que não voltaria ao poder.

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A saída de Fidel não significou o fim do regime, que, com 57 anos, é a ditadura de mais longa duração da história latino-americana e a única que perdura na região. Com exceção da rainha Elizabeth 2ª, ele era o líder vivo há mais tempo no poder.

E a morte dele certamente não encerrará as divergências sobre o legado do homem que nunca foi visto com meio-termos: era herói ou demônio.

Desde 1961, todas as liberdades civis foram restringidas. Com raras exceções, a cada momento de crise o regime endureceu ainda mais a perseguição a dissidências.

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Segundo estimativa do projeto Cuba Archive, liderado por uma associação de cubano-americanos que vivem nos Estados Unidos, o regime foi responsável pela morte de cerca de 88 mil cidadãos.

A grande maioria dessas mortes (78 mil) era de "balseros", que tentaram fugir da repressão se arriscando no mar em busca de viver nos EUA.

Mais de 5.000 foram executados, e 2.300 morreram em prisões nos anos dos Castro no poder, ainda de acordo com o Cuba Archive.

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A ONG Humans Right Watch estima que, de janeiro a outubro de 2015, houve 6.200 detenções arbitrárias no país, número inferior ao de igual período de 2014, mas superior ao dos anos anteriores.

Ao mesmo tempo, o país, sob a liderança do carismático revolucionário, tem diversas conquistas na área social, como na saúde, em que seus médicos viraram moeda de troca na busca de ajuda financeira para o regime.

A taxa de mortalidade infantil em 2014 foi de 4,2 (para cada mil nascidos vivos), ante 14,4 no Brasil. Cuba foi o único país latino-americano a cumprir as metas mundiais de educação da ONU. A taxa de analfabetismo figura entre as menores do mundo (0,2%) -no Brasil, ela é de 8,3%.

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