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Moradores tentam barrar espigão em área de nascentes na zona oeste de SP

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EMILIO SANT?ANNA

DANILO VERPA

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Ainda que ele corra sem nem ser visto, nenhum rio aparece ?do nada?. Num pedacinho da Pompeia, bairro de classe média da zona oeste de São Paulo, o córrego da Água Preta, por exemplo, tem 13 nascentes em torno da praça Homero Silva rebatizada pelos moradores de praça da Nascente.

Duas delas estão em meio a um terreno em que havia pequenos sobrados. Esse é o problema. As casas foram demolidas e, em breve, um prédio de 22 andares e três subsolos pode brotar ali para desespero dos vizinhos e frequentadores da área verde, que temem que as fundações do ?espigão? afetem o lençol freático e o afloramento do córrego.

Parte deles forma um coletivo, o Ocupe e Abrace, responsável pela revitalização dos 12 mil metros quadrados da praça onde há três anos o que existia era apenas mato alto e sujeira.

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De acordo com a jornalista Adriana Carvalho, moradora do bairro, o que está em jogo é a sobrevivência da área verde, resultado do solo repleto de nascentes, e a própria manutenção do córrego que se junta ao Sumaré, numa região onde ainda corre escondido o quase homônimo Água Branca.

O terreno em que o prédio deve ser erguido, pela construtora Exto, é separado da praça por um muro e no local, após a demolição das casas, o que se vê atualmente é uma grande área cimentada. Fechado por tapumes, de frente para a avenida Pompeia, pichações como ?Assassinos de Nascentes? dão a tônica da insatisfação.

A empresa afirma que ?todos os seus terrenos são criteriosamente analisados sob os aspectos jurídicos, legais e ambientais?.

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Na região, não é difícil encontrar água correndo pelas sarjetas, brotando de canos na frente dos prédios. ?Essa era uma área com muitas outras nascentes. Não dá para saber quantas. O que acontece é que os edifícios foram sendo construídos sobre elas?, diz Adriana. ?Estamos sentados em cima de muita água e ela é tratada como se fosse esgoto.?

No entanto, um estudo do SOS Mata Atlântica sobre nascentes e córregos identificou, em 2015, que na região metropolitana de São Paulo o único local com IQA (Índice de Qualidade da Água) classificado como ?bom? era o das nascentes da praça Homero Silva. ?As pessoas só vão se dar conta do problema quando a água bater na bunda. Mas aí, vão ter outro problema: não vai ter mais água para bater em lugar nenhum?, diz o artista plástico Daniel Caballero, que desenvolve um trabalho no local com plantas do cerrado paulista.

Coordenador do projeto Observando Rios, do SOS Mata Atlântica, Gustavo Veronesi diz que a construção vai trazer impactos no lençol freático e afetar o córrego. ?Essa é uma realidade na cidade. E o que acontece aqui se repete Brasil afora. Na visão de modernidade, a água, os rios e as nascentes acabam virando um estorvo para o desenvolvimento econômico?, afirma.

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De acordo com a Secretaria de Licenciamento da prefeitura, ainda não há licença para o início das obras. Em 20 de outubro, fiscais da subprefeitura da Lapa vistoriaram o local e verificaram somente a execução de demolição, para a qual havia alvará. ?Quando constatada a existência de nascentes, o proprietário deve informar a prefeitura e tomar medidas de proteção?, diz a pasta.

Não é o que pensa Veronesi. Segundo ele, apenas as fundações de um prédio de 22 andares já seriam suficientes para afetar o lençol freático. Como três subsolos, como o projeto prevê, seria ainda mais difícil manter a integridade das nascentes.

A construtora Exto, responsável pelo projeto, afirma que toda a documentação do seu terreno na avenida Pompeia está de acordo com as normas vigentes nas esferas municipais, estaduais e federais. ?Destacamos ainda que nenhuma obra será iniciada sem que seu licenciamento seja autorizado por parte desta municipalidade?, diz a construtora.

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