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Oposição colombiana diz que não aceita novo acordo de paz com as Farc

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SYLVIA COLOMBO, ENVIADA ESPECIAL

CIDADE DO MÉXICO, MÉXICO (FOLHAPRESS) - Depois de ter deixado o governo colombiano esperando por oito dias sobre qual era sua posição oficial com relação ao novo acordo de paz elaborado pelos negociadores do Estado e das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), o Centro Democrático, partido do ex-presidente Álvaro Uribe, principal defensor do "não", resolveu se pronunciar contra o tratado.

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Depois de uma reunião com representantes do governo, os uribistas disseram ainda não estar satisfeitos com a nova versão do documento, que acolheu algumas de suas sugestões, mas não tocou em pontos por eles considerados essenciais, como o impedimento da elegibilidade política dos ex-guerrilheiros, que permaneceu praticamente intacta, e o requisito de que os condenados cumprissem suas penas em algum tipo de prisão, senão numa comum, em colônias agrícolas.

Também ficaram as divergências com relação a como enquadrar o crime do narcotráfico. Governo e Farc consideram que os casos poderiam ser tratados caso a caso, enquanto os do "não" querem que seja considerado crime de lesa humanidade, portanto não-anistiável.

Durante o período de renegociação, após a rejeição do acordo em plebiscito popular, no último dia 2 de outubro, as Farc aceitaram algumas das mudanças propostas pelo grupo do "não" com relação à Justiça, colocando limites na atuação dos tribunais especiais, e com relação a oferecer um completo inventário de seus bens.

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Porém, a guerrilha disse não abrir mão da possibilidade de concorrer a eleições e reafirmou que não querem ir à cadeia. Esses dois pontos não foram renegociados.

"Este novo acordo é apenas um retoque ao acordo que foi recusado pelos cidadãos", declarou o Centro Democrático em um comunicado.

O ex-presidente Uribe, então, apresentou nesta terça (22), uma nova proposta: quer dialogar diretamente com a guerrilha.

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"Temos disposição de dialogar com o governo e as Farc sobre as modificações que pedimos. Queremos aproveitar a presença, em Bogotá, dos líderes das Farc, para isso", afirmou Uribe por meio de um comunicado.

De fato, o líder máximo da guerrilha, Rodrigo "Timochenko" Londoño, se encontra na capital colombiana, porém, o governo esperava que sua presença se limitasse apenas a participar de uma festiva nova assinatura de acordo. Por meio de seu porta-voz, Ricardo Téllez, as Farc se opuseram à ideia de conversar diretamente com os uribistas.

"Nosso interlocutor com o Estado colombiano continua sendo a equipe de negociadores", afirmou. "Consideramos a ideia de uma reunião com os uribistas apenas uma manobra para dilatar ainda mais a implementação do acordo, que se encontra num limbo, ou seja, num Estado muito frágil."

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De fato, os guerrilheiros têm esperado uma definição de sua situação em acampamentos provisórios, sem a vigilância e a proteção que garantia o acordo original.

O governo também teme essa situação irregular que têm a guerrilha num limbo e pode provocar incidentes. O líder da equipe de negociadores, Humberto de la Calle, voltou a afirmar que as propostas do "não" foram ouvidas e a maioria delas acolhida. E que, de agora em diante, o texto "não está mais aberto a negociações. Não oferecemos aos do ´não´ a possibilidade de revisar o acordo."

O projeto do governo agora é seguir com o plano inicial: apresentar o texto ao parlamento e então decidir como será referendado, ou por meio de uma votação no Congresso ou por decreto presidencial.

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Para os uribistas, a atitude do governo é desafiante e anti-institucional. Em entrevista à imprensa local nesta terça, o senador e pré-candidato à Presidência em 2018 pelo Centro Democrático, Iván Duque, disse: "Se o governo pretende impor esse acordo sem um consenso nacional, ignorando o resultado de 2 de outubro, e tentando usar manobras legislativas, estará desafiando a vontade popular expressa no último dia 2 de outubro."

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