Sotheby's retira obra de Willys de Castro de leilão após suspeitas
SILAS MARTÍ
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um "Objeto Ativo", escultura da série mais cobiçada do neoconcretista Willys de Castro, foi retirada do leilão de arte latino-americana da Sotheby's, em Nova York. A casa planejava oferecer a obra nesta terça pelo lance mínimo de US$ 400 mil, mas decidiu remover a peça após suspeitas serem levantadas por marchands de São Paulo e do Rio.
Mantida até o último minuto no catálogo on-line da venda, a escultura foi retirada da parede já no preview para colecionadores realizado no fim de semana em Nova York.
Axel Stein, diretor de vendas de arte latino-americana da casa de leilões, disse ter dois certificados de autenticidade da peça e que a Sotheby's pediu a opinião de dois especialistas sobre o trabalho, que disseram ser uma obra autêntica.
Dois fatores, no entanto, pesaram contra a permanência da obra. O principal deles é o fato de ela ter sido vendida à marchande Raquel Arnaud por Ricardo Duarte, dono da galeria carioca Graphos, acusada de levar obras falsas a seu estande na última edição da feira ArtRio.
Outra questão é o fato de Arnaud, que já representou Willys de Castro, vir negando que tenha assinado um certificado de autenticidade para a peça, afirmando que só o irmão do artista, Walter de Castro, poderia assinar tal documento. A Sotheby's, no entanto, diz ter um documento com a firma da marchande.
Questionada a respeito, Arnaud disse que a princípio não havia preparado um documento, mas o assinou depois de ter sofrido pressão da casa de leilões. Ela, no caso, acabara de comprar, por pouco menos de US$ 400 mil, a obra que estava tentando vender no leilão em Nova York.
Na opinião de especialistas, Willys de Castro teria feito no máximo 20 esculturas dessa série. Arnaud, que já representou o artista, disse, no entanto, ter autenticado pelo menos seis obras da mesma série e origem da que estava no Rio e da que foi a Nova York só no último ano, todas da coleção que era do político cearense Hélio Gueiros, morto há cinco anos em Belém, onde fez carreira.
Especialistas, no entanto, desconhecem esse acervo. "Eu comprei depois de ter feito uma pesquisa", disse Arnaud. "Foi o Ricardo [Duarte] que me trouxe a obra. Ele foi o intermediário da tal da família. O que existe agora é uma ciumeira de marchands em cima disso. Quando aparece uma obra boa, todo mundo cai em cima."
