Em crise, Unifieo leiloa parte de seu acervo de arte para pagar dívidas
JAIRO MARQUES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma das mais tradicionais universidades da Grande São Paulo, a Unifieo, de Osasco, mergulha na maior crise de seus 50 anos de história. Professores da instituição estão em greve por salários atrasados e a instituição acumula dívidas milionárias.
Enquanto a reitoria do centro universitário declara que a situação deve melhorar no ano que vem, com alienação de bens e aumento de receita, o movimento grevista diz que não há abertura de negociações nem ações práticas para normalizar os salários que estão há mais de cem dias sem serem pagos.
A Unifieo atribui a crise ao atual momento econômico, que teria gerado inadimplência e retração de matrículas, e também a um atraso, desde julho, de repasses federais do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) . Ao todo, a instituição afirma dever R$ 20 milhões.
Já os professores avaliam que esteja havendo problemas de gestão, uma vez que a instituição contaria com 5.600 alunos pagando, em média, R$ 800 de mensalidade.
Para a quitação da folha de 300 docentes, que giraria em torno de R$ 2,5 milhões, professores sugerem que a universidade use valores da venda parte de seu acervo em obras de arte, que conta com trabalhos de Di Cavalcanti, Burle Marx, Alfredo Volpi entre outros.
Pelo menos 273 peças já estão sendo comercializadas em um site de leilão eletrônico, mas a reitoria não se manifestou sobre essa questão. Em nota assinada pelo reitor Luiz Fernando da Costa e Silva afirma-se que os alunos não deverão ter prejuízos no semestre acadêmico devido a greve, pois há expectativa de acordo e haveria tempo suficiente para a reposição de aulas.
PATRIMÔNIO
Apesar de ter bens avaliados em cerca de R$ 350 milhões, uma disputa na Justiça por valores tributários bloqueia da Unifieo cerca de R$ 300 milhões. A expectativa da reitoria é que o embate chegue ao fim em breve.
Professores reclamam que há falta de transparência da atual gestão da universidade, que não divulgaria seus balanços, mesmo sendo a instituição declarada sem fins lucrativos. A reitoria convocou para a próxima quarta-feira (23) uma entrevista coletiva para dar mais detalhes sobre a crise.
