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Protesto cobra solução sobre 3 jovens desaparecidos em Manaus

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FABIANO MAISONNAVE

MANAUS, AM (FOLHAPRESS) - Familiares, amigos e militantes de esquerda protestaram neste domingo (20) contra o desaparecimento de três jovens após abordagem policial, há 22 dias, em Manaus (AM). Dez PMs tiveram a prisão temporária decretada, dos quais ao menos três foram liberados.

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O protesto reuniu algumas dezenas de pessoas na região de Grande Vitória, bairro de ruas estreitas formado a partir de uma invasão, a 12 km a leste do centro de Manaus. Não houve incidentes.

Entre as participantes estava a diarista Lindalva Castro, 43, mãe da atendente de caixa Rita da Silva, 19, um dos três desaparecidos -os outros são o desempregado Weverton Gonçalves, 21, e o mecânico Alex de Melo, 25, o único com passagem pela polícia.

Além de não ter notícias de Rita, ela viu outros dois filhos serem presos no último dia 10, acusados de envolvimento com o tráfico e de participar no assassinato da líder comunitária Rosenira Souza, morta a tiros na mesma região, em julho. Ambos negam envolvimento.

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Ao contrário dos PMs presos, os dois rapazes foram apresentados à imprensa algemados e diante de uma mesa com armas e celulares supostamente usados no crime.

"A polícia quer envolver tráfico com o crime de desaparecimento", afirma Castro. "Por que não obrigam os PMs a dizer a verdade? Quando prendem pobres, eles obrigam."

Ela afirmou que os familiares estão com medo de retaliação da polícia e que só realizaram o protesto por causa do apoio da CSP-Conlutas (Central Sindical e Popular).

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Os três jovens foram abordados por PMs quando saíam de uma festa, na madrugada do último dia 29. Um vídeo de uma câmera de segurança mostra o momento em que eles entraram numa viatura da polícia, sem resistência.

Nos primeiros dias, sem o apoio da Polícia Civil, os familiares passaram a investigar o sumiço dos jovens -foram eles que obtiveram o vídeo, usado mais tarde para identificar os PMs que participaram da abordagem.

A principal linha de investigação da Delegacia Especializada em Homicídio e Sequestros é a de que os PMs souberam que um dos desaparecidos, Melo, planejava matar policiais e então decidiram matá-lo. Para sustentar a tese, foram apresentados trechos de escuta telefônica.

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Melo também foi acusado de participar do assassinato da líder comunitária, supostamente morta por entrar em choque com o narcotráfico. A família nega que ele esteja envolvido.

No protesto, uma familiar de Melo trazia um cartaz onde se lia: "Por mais errado que ele fosse, não deveria morrer dessa forma".

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