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Merkel anuncia que irá concorrer ao seu quarto mandato de chanceler

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DIOGO BERCITO

MADRI, ESPANHA (FOLHAPRESS) - Angela Merkel, chanceler da Alemanha, anunciou no domingo (20) que irá concorrer ao seu quarto mandato. Ela deve concorrer ao cargo nas eleições do ano que vem.

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Segundo uma pesquisa publicada pelo jornal alemão "Bild am Sonntag", 55% da população apoia a permanência de Merkel por mais quatro anos e 39% são contrários a essa perspectiva.

"Essas eleições vão ser ainda mais difíceis do que aquelas que tivemos antes, pois estamos enfrentando uma forte polarização", afirmou durante seu anúncio.

Merkel, 62, lidera a Alemanha desde 2005. Ela representa o partido CDU (União Democrata Cristã). Caso cumpra mais um mandato, a chanceler chegará ao recorde à frente do país, marcado por Helmut Kohl (1982-98).

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Ela enfrenta um período particularmente desafiador. Sua popularidade está em queda devido a sua controversa decisão de abrir as fronteiras para centenas de milhares de imigrantes.

A chanceler terá que combater, ademais, o crescimento do populismo de extrema-direita encarnado pelo partido AfD (Alternativa para a Alemanha). O AfD tem recentemente conquistado seu espaço em pleitos regionais.

Essa sigla foi formada em 2013 com uma plataforma contrária à integração dentro da União Europeia e teve 4,7% dos votos populares nas eleições federais daquele ano. O teto para a câmara baixa do Parlamento é 5%.

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Parte do sucesso do AfD se deve à entrada de quase 900 mil refugiados em 2015. A crise migratória tem alimentado outros partidos populistas no restante do continente. A Áustria, por exemplo, pode eleger um presidente de extrema-direita no início de dezembro.

Mas, por ora, o CDU de Merkel ainda tem a liderança. Uma pesquisa publicada no domingo estimou que o partido teria 33% dos votos caso as eleições fossem realizadas no final de semana.

O SPD (Partido Social-Democrata) aparece em segundo lugar, com 24%. O AfD teria 13%. A estimativa foi realizada pelo instituto de pesquisa independente Emnid.

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ESTABILIDADE

Já havia expectativas de que Merkel anunciasse sua candidatura. Mas a inesperada eleição de Donald Trump, nos EUA, adicionou uma camada extra de ansiedade.

Com a saída do atual presidente americano Barack Obama, Merkel passa a ser vista como a principal defensora das relações transatlânticas. Sua candidatura é um sinal de estabilidade na Europa -onde, em junho, o Reino Unido votou para deixar o bloco econômico.

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Obama esteve em Berlim dias antes do anúncio de Merkel e afirmou que, caso fosse alemão, ele apoiaria a candidatura da chanceler.

"Ela tem bastante credibilidade e está disposta a lutar por aqueles valores de uma maneira que é muito, muito importante", disse o presidente americano, a quem Merkel foi possivelmente a sua aliada mais próxima durante seus dois mandatos.

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