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"Vamos governar por 50 anos", diz assessor de Donald Trump

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PATRÍCIA CAMPOS MELLO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - "Eu não sou um nacionalista branco, sou um nacionalista, um nacionalista econômico." Foi dessa maneira que o recém-nomeado estrategista da Casa Branca, Stephen Bannon, tentou rebater as acusações de que irá levar as ideias do movimento supremacista branco para dentro do governo Donald Trump.

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Em entrevista ao The Hollywood Reporter publicada na sexta-feira (18), Bannon, que foi coordenador da campanha de Trump, afirmou que os republicanos "irão governar por 50 anos" se o presidente eleito conseguir cumprir as promessas de campanha.

"Vamos criar um movimento político inteiramente novo; tudo estará ligado a empregos. Os conservadores vão ficar loucos. Eu sou o cara propondo o plano de infraestrutura de US$ 1 trilhão. Com taxas de juros negativas ao redor do mundo, temos a maior oportunidade de reconstruir tudo. Vamos impulsionar estaleiros e siderúrgicas. Vai ser tão excitante quanto os anos 30, maior do que a revolução de Reagan [Ronald Reagan, ex-presidente dos EUA] -conservadores e populistas em um movimento econômico nacionalista", disse Bannon, ex-presidente do Breitbart News, site que ele mesmo definiu como "principal plataforma do alt-right "(movimento de direita baseado na internet).

Segundo Bannon, "os globalistas acabaram com a classe operária americana e criaram uma classe média na Ásia". "Se nós [governo Trump] entregarmos, teremos 60% do voto dos brancos, 40% dos negros e hispânicos e vamos governar por 50 anos". Para ele, os democratas ficaram falando para "pessoas com empresas que têm US$ 9 bilhões em valor de mercado e empregam nove pessoas. Isso não é a realidade."

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A escolha de Bannon para um dos principais cargos na Casa Branca foi alvo de diversas críticas.

Jonathan Greenblatt, presidente da Liga Anti-Difamação, mais importante organização de combate ao anti-semitismo nos EUA, afirmou: "É um dia triste aquele em que um homem que presidiu o principal site do Alt-Right, um grupo de brancos nacionalistas, anti-semitas e racistas, é escolhido para ter um alto cargo na 'casa do povo'".

Já os supremacistas comemoraram a vitória de Trump. "Ao menos vamos ser ouvidos pelo governo daqui para frente", disse à Folha Jared Taylor, um dos quatro principais líderes do movimento supremacista nos EUA.

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"É bom ter escuridão", disse Bannon na entrevista. "Dick Cheney. Darth Vader. Satã. Isso tudo é poder. E só nos ajuda quando os liberais não nos entendem. Quando eles não enxergam o que somos e o que estamos fazendo."

Segundo Bannon, Trump se comunica com as pessoas de uma maneira visceral. "Ninguém no partido democrata ouviu os discursos dele, por isso eles não tinham ideia de que ele estava passando uma mensagem econômica tão convincente e poderosa."

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