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Trump convida general para quem temer muçulmanos é 'racional'

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ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER

NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, convidou Michael Flynn, um general reformado que já tachou o Islã de "ideologia política" da qual "os pais fundadores iam querer distância", como seu conselheiro para segurança nacional.

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Ainda não está certo se o militar topou o convite. Caso diga sim, supervisionará uma equipe de cerca de 400 pessoas.

O detentor do posto costuma ter a palavra final para indicar como o presidente deve lidar com crises de alcance global -desde como lidar com epidemias como a do Ebola até políticas para combater o terrorismo. Os EUA hoje estão envolvidos em sete conflitos no mundo: Afeganistão, Iraque, Líbia, Paquistão, Síria e Iêmen.

Alguns nomes que já passaram pelo cargo: Colin Powell (Ronald Reagan), Condoleezza Rice (George W. Bush) e Susan Rice (Barack Obama).

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Registrado como democrata, o general chefiou a Agência de Inteligência de Defesa no governo Barack Obama, entre 2012 e 2014 -sua passagem na administração coincidiu com à de Hillary Clinton como secretária de Estado (chanceler).

Demitido por Obama, Flynn virou um dos partidários mais leais a Trump. Em julho, lançou um livro ("Field of Fight: How We Can Win the War Against Radical Islam") em que dá sua versão para o episódio.

Para o general, o presidente o dispensou porque, em 2014, ele falou no Congresso que a ameaça do terrorismo islâmico estava em ascensão. O governo defendia o contrário.

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A escolha de Flynn sinaliza que Trump está disposto a adotar postura agressiva contra "radicais islâmicos". A dupla está em sintonia quanto ao tema. O empresário defendeu um "veto total" a muçulmanos no país logo após o atentado em San Bernardino (Califórnia), em dezembro de 2015.

(Depois voltou atrás e disse que só barraria pessoas que viessem de países com histórico terrorista, como refugiados sírios. O debate parece estar em ponto morto por ora, ao contrário de outras propostas que apimentaram sua campanha, como a expulsão de imigrantes ilegais do país.)

Os dois também convergem num ponto: a simpatia por Vladimir Putin. Em dezembro, Flynn se sentou a duas cadeiras de distância do presidente russo, num jantar de gala em Moscou.

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O banquete foi cortesia da RT, TV estatal local para a qual o general já fez participações especiais (assim como o pensador marxista Noam Chomsky e a ativista socialista Gloria de la Riva).

Sua visão de adeptos do Islã já mobilizou o Council of American-Islamic Relations. A organização reagiu a um tuíte de Flynn em março ("temer muçulmanos é RACIONAL"). Pediu que Trump se aliasse a alguém "que não defenda pontos de vista tão preconceituosos".

Isso não aconteceu e, como aliado de Trump, Mike Flynn fez de Hillary seu saco de pancadas preferencial.

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Deu um dos discursos mais inflamados na convenção republicana, em julho. Nele criticou o ex-chefe: "Estamos cansados dos discursos vazios de Obama. [...] O mundo não mais tem respeito pela palavra americana, nem teme nosso poderio".

Ele também pediu um "corretivo" no "politicamente correto" e defendeu a prisão de Hillary, por ela ter usado um servidor privado para trocar e-mails oficiais na época em que era chanceler, com potencial risco à segurança nacional (algumas das mensagens tinham conteúdo secreto).

Trump, que na juventude conseguiu evitar servir no Vietnã, cogitou fazer do general com 33 anos de carreira militar seu vice-presidente (a vaga acabou com o governador de Indiana, Mike Pence).

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Agora, pode compensá-lo com um escritório da Casa Branca. De lá despachará, se o convite for aceito, o homem que escreveu: "Estamos numa guerra mundial, mas poucos americanos reconhecem isso. Ainda menos têm ideia do que fazer para vencê-la".

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