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Interesse no Brasil não vai mudar com Trump, diz embaixadora dos EUA

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ISABEL FLECK

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A um auditório lotado de empresários brasileiros em São Paulo, a embaixadora americana no Brasil, Liliana Ayalde, disse que deverá haver "ajustes" na relação entre os dois países com a posse de Donald Trump, mas que o "interesse básico" dos EUA na parceria com o Brasil não vai mudar.

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"Nosso compromisso com o Brasil não é um capricho político transitório. Pelo contrário: é um princípio e um interesse fundamental da política externa dos EUA", disse Ayalde, durante seminário promovido pela Câmara Americana de Comércio (Amcham).

"Haverá ajustes de ênfases em iniciativas ou novos programas serão criados para refletir o enfoque diferente da nova administração, mas não acredito que isso vá mudar significativamente a direção positiva da nossa relação de modo geral", completou.

A embaixadora, que deixa o posto no fim de dezembro -ela será sucedida pelo diplomata Michael McKinley, que assume em 11 de janeiro-, tentou demonstrar otimismo com um Trump pós-eleições.

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"Uma coisa é estar na campanha, outra coisa é estar na Presidência", disse a jornalistas. Ao ser questionada se já via mudanças importantes na atitude e na retórica do presidente eleito, a embaixadora disse que sim. "Está mais temperado."

Ayalde lembrou o pronunciamento mais "moderado" feito por Trump depois de se encontrar com Obama, na última semana. "Ele elogiou o presidente por algumas de suas conquistas e disse que ia chamar Obama para lhe dar conselhos. Coisas que antes eram impensáveis", afirmou.

COMÉRCIO

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A embaixadora reconheceu que ainda não há "detalhes suficientes" sobre o que será a "parte operativa" do que Trump falou durante a campanha - que, segundo ela, "foi sem dúvida muito agressiva e emocional".

A diplomata americana, contudo, afirmou que a agenda comercial bilateral "não vai desaparecer" por beneficiar os dois países.

"Precisamos de emprego e de prosperidade não só nos EUA como no Brasil, então a parte comercial é indispensável na nossa agenda", disse. Ayalde afirmou ver potencial para mais parcerias não só comerciais, mas também na área de segurança.

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A embaixadora ainda minimizou os possíveis impactos das declarações do chanceler José Serra sobre Trump ainda durante a campanha. Em junho, ele chegou a afirmar que a vitória do republicano seria um "pesadelo".

"O próprio ministro Serra falou: treino é treino, jogo é jogo. O próprio presidente eleito também fez comentários agressivos contra Obama e depois se sentou com ele", disse. "Tem momentos que a política é agressiva, mas tem momentos que tem que ser prática e ver o interesse dos países além das pessoas. Acho que isso vai ser superado."

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