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Com medo de protestos, "maratonistas" de Trump escondem seu apoio

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ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER

NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - Nicole estava preocupada. Antes mesmo de saber o resultado da eleição, ela organizou a "corrida da celebração", no Central Park, para voluntários do "call center" da campanha de Donald Trump.

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O problema é que ele ganhou. Quer dizer, Nicole estava jubilante com isso, mas não se preparou para o que viria a seguir.

"Como vocês sabem, protestos [contra o presidente eleito] estão pipocando por todo lado. A cidade está muito nervosa", escreveu. Queria evitar confrontos. Cogitou até cancelar o evento.

No fim, continuou com o plano, sob condições: 1) Sem cartazes ("se quiser usar uma camisa do Trump, coloque uma jaqueta por cima"); 2) esqueçam gritar o nome dele em coro; 3) Não divulgue por redes sociais; 4) Nenhuma mídia deve ser convidada.

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A repórter, que sem se identificar como jornalista já havia trabalhado como voluntária, acompanhou o grupo de cerca de 30 pessoas no domingo (13).

No grupo, duplo consenso: todos ali riram por último, após aguentar meses de aporrinhação de colegas de trabalho e familiares que os deletavam das redes sociais e até estranhos na rua que encrencavam com seus adereços pró-Trump -Hillary Clinton superou Trump em 1,5 milhão de votos em Nova York, um dos feudos democratas do país.

Ah, sim: concordaram também que o frango frito que Barbara trouxe estava divino.

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A turma se reúne em torno de uma mesa com comes, bebes, cataventos e bandeirinhas americanas.

Uma roda está alvoroçada com a bomba que alguém lança: o magnata George Soros, tradicional aliado de causas progressistas, estaria financiando protestos anti-Trump.

A fonte é um blog conservador: a "plataforma liberal" MoveOn.org recebe fundos da Open Society Foundation, de Soros, "um velho de merda", lê um rapaz (agraciado com um "é isso aí!" da senhora ao lado).

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O texto continua: "Um recado para manifestantes: incendiar bonecos, atrapalhar o trânsito, gritar obscenidades e interromper a vida dos sãos para se rebelar contra a democracia, a mesma que levou Trump à Casa Branca, é a insanidade em ação".

"E diziam que os loucos éramos nós", afirma uma senhora que deu um jeito de burlar a regra de não usar nada com o nome do empresário, para não chamar a atenção.

Na cabeça, o boné vermelho com o slogan "Vamos Fazer a América ser Grandiosa de Novo". Por cima das palavras, um post-it colado com durex onde se lê: "Adorável Deplorável". Muitos guardam mágoa de quando Hillary disse que metade dos eleitores do rival era deplorável. É difícil achar um único rótulo para os corredores de domingo, fora a etiqueta que cada um traz na roupa com seu nome.

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Tem a muçulmana de hijab, o jovem latino e a iraniana cristã. Há quem tenha votado em Barack Obama e quem nunca suportou o presidente.

O veterano de guerra judeu escolheu Bernie Sanders nas prévias democratas e depois Trump, pois acha que os dois colocam "os interesses dos americanos na frente", e Hillary, "os de Wall Street".

A microempresária chinesa que passou a comprar a marca de iogurte mais barata confia no novo presidente para "um crescimento econômico de verdade" -"ele é rico, sabe o que faz".

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O senhor negro de gravata borboleta se diz farto dos democratas acharem que os escolherá só por causa da cor da pele. "Odeio quando dizem que Obama 'é um de nós'. Elite não é branca ou preta, é verde [cor do dólar]."

Enquanto parte do grupo conversa, outra já completou a primeira volta. Os primeiros corredores rompem a linha de chegada, uma bandeira americana estendida por dois voluntários. Eles venceram.

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