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Em 'Strike a Pose', dançarinos revelam a bênção e a maldição pós-Madonna

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RENATO BARRETO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Verdade ou desafio. Vinte e cinco anos atrás, quando o documentário "Na Cama com Madonna" foi lançado, os dançarinos que acompanharam a cantora na turnê Blond Ambition, aquela dos sutiãs de cone assinados por Jean Paul Gaultier, claramente optaram pelo "desafio".

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Agora, em "Strike a Pose", dos diretores holandeses Ester Gould e Reijer Zwaan, que tem sua segunda e última exibição nesta quarta-feira (16), no Festival Mix Brasil, em São Paulo, a única opção que lhes restou é explorar a "verdade".

O objetivo é claro: mostrar ao público o que aconteceu com os sete dançarinos após a fama repentina obtida com a repercussão mundial do filme de Madonna, um dos destaques de sua filmografia pela ousadia em tratar de questões-tabu naquela época, como Aids, homofobia e homossexualidade, da forma mais aberta e natural possível.

Para os diretores, que assistiram ao "Na Cama com Madonna" ainda na adolescência, "Strike a Pose" é uma obra sobre crescimento e mudança. Esses personagens, que aos 20 anos sentiam-se irreverentes e no topo do mundo, agora lidam com as agruras da maturidade -e é este o principal ponto com o qual o público pode se identificar.

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A primeira metade do filme recapitula as memórias dos dançarinos sobre o período em que trabalharam com Madonna -incluindo a participação no célebre clipe de "Vogue" e a subsequente escalação para embarcar na turnê mundial, uma das mais polêmicas e iconográficas da cantora. Entre cenas dos shows e de noticiários da época, eles vasculham as memórias daquele período.

Já a segunda metade atualiza o público sobre o que aconteceu com cada dançarino desde 1991. Dos sete originais, um deles morreu em consequência de Aids em 1994 e é representado no documentário por sua mãe. Gabriel Trupin havia sido um dos três dançarinos a processar a cantora no início dos anos 1990 por questões relacionadas à obra -no caso dele, danos morais por ter sido forçado a sair do armário para a família após a repercussão da famosa cena do seu beijo gay durante a brincadeira de "verdade ou desafio" proposta por Madonna. Outros dois dançarinos, Kevin Stea e Oliver Crumes (o único heterossexual do grupo), processaram a pop star por participação nos lucros de bilheteria.

O tom dessa segunda metade é melancólico. Jose Gutierez e Luis Camacho, os dois dançarinos que introduziram Madonna ao movimento de voguing em 1989, contam como a vida de festas e drogas após o afastamento da cantora os levou ao fundo do poço.

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Já os dançarinos Salim "Slam" Gauwloos e Carlton Wilborn revelam serem portadores do vírus HIV desde antes de trabalharem com Madonna, compartilhando com as câmeras um segredo que mantiveram por anos mesmo diante dos discursos de tolerância e conscientização sobre a doença que a rainha do pop promovia durante os shows. À parte os dramas pessoais, também são comoventes (e elegantemente filmadas) as cenas de dança de cada um deles, mostrando o quanto o talento individual resistiu mesmo diante da ausência dos holofotes e do ostracismo. Numa das melhores cenas, Carlton, filmado de costas para a câmera, executa impecavelmente os passos clássicos de "Vogue" em um palco vazio, diante de uma arena de shows completamente desocupada. A metáfora é clara.

Apesar dos vários pesares, o tom geral é de gratidão pela oportunidade de terem trabalhado com Madonna e de terem representado, para tantas pessoas do redor do mundo, exemplos de orgulho gay e liberdade de expressão. Segundo os diretores, o próprio interesse em localizar os dançarinos e mostrar ao público o seu paradeiro reforçava a noção de que eles haviam se tornado ícones por mérito próprio.

Em determinada cena, um dos dançarinos comenta que "Na Cama com Madonna" foi pioneiro em mostrar que aquelas pessoas eram "gays e humanas". Em "Strike a Pose", eles têm a chance de mostrar que essa humanidade é muito mais complexa do que a fama fez parecer -envolvendo, além da verdade e do desafio, a vergonha e o orgulho de serem, acima de tudo, sobreviventes.

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Strike a Pose

QUANDO ter. (16), às 19h

ONDE CineSesc Augusta, r. Augusta, 2075, tel. (11) 3087-0500

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QUANTO: R$ 12 (inteira)

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