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Turquia poderá fazer votação sobre processo de entrada na UE

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Turquia pode realizar no ano que vem um referendo sobre continuar ou não conversações com a União Europeia sobre a entrada no bloco, disse nesta segunda-feira (14) o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, repetindo seu alerta a Bruxelas de que é necessário "chegar a uma decisão" sobre a adesão turca.

Em discurso feito em Ancara e transmitido na TV, Erdogan pediu para os turcos serem pacientes até o final do ano e então disse que um referendo pode ser feito sobre a adesão à União Europeia.

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Erdogan também disse que irá aprovar a restauração da pena de morte, ato que provavelmente terminaria com quaisquer esperanças turcas de entrar na UE, caso o Parlamento aprove a lei, e disse que isto também seria parte de um referendo.

A Turquia deve realizar uma eleição nacional sobre mudanças constitucionais no ano que vem, incluindo aumento de poderes do gabinete de Erdogan para criar um sistema presidencial similar ao dos Estados Unidos e França.

UE DIVIDIDA

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A União Europeia se mostrava dividida nesta segunda-feira sobre como lidar com a Turquia por sua repressão contra supostos apoiadores de um golpe militar fracassado em julho. Enquanto a Áustria liderou os pedidos para suspender a tentativa de adesão de Ancara à UE, o Reino Unido se posicionou firmemente a favor da manutenção das conversas.

A Turquia suspendeu, demitiu ou prendeu ao menos 110 mil pessoas, incluindo soldados, juízes e professores, desde o golpe. Críticos de Erdogan acusam o presidente de usar a tentativa de golpe como pretexto para esmagar a dissidência, o que ele nega.

"Não sou a favor da continuação de negociações de entrada e acredito que essa Turquia não tem um lugar na União Europeia", disse o chanceler austríaco, Sebastian Kurz, ao chegar para a reunião em Bruxelas.

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Mas Boris Johnson, ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, que planeja deixar a UE nos próximos anos, alertou contra reações exacerbadas aos eventos na Turquia, um grande e estrategicamente importante país de maioria muçulmana no flanco sudeste da União Europeia.

"Não devemos empurrar a Turquia para um canto, não devemos reagir exageradamente de maneira que seja contra nossos interesses coletivos", disse Johnson.

Apesar das crescentes preocupações sobre direitos humanos e liberdade de imprensa na Turquia, a UE muitas vezes tem reduzido suas críticas a Erdogan e seu governo, cuja cooperação é necessária para manter baixo o número de imigrantes e refugiados que chegam na Europa via Grécia vindos da Turquia.

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