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Após diálogo avançar, governo e oposição trocam farpas na Venezuela

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um dia após terem se comprometido a adotar uma convivência pacífica para resolver a crise política e econômica na Venezuela, governo e oposição voltaram a trocar farpas e a se enfrentar neste domingo (13).

Na noite de sábado (12), após o encerramento da segunda rodada de diálogo mediada pelo Vaticano, representantes das duas partes leram uma declaração conjunta em que se comprometeram "de forma solene a que nossas diferenças políticas tenham uma resposta apenas no estrito marco constitucional, um caminho democrático, pacífico e eleitoral".

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Governo e oposição prometeram "estabelecer uma relação política respeitosa".

"Expressamos nosso firme compromisso com uma convivência pacífica, respeitosa e construtiva, porque não há política, nem convivência, na violência", acrescenta um outro ponto do acordo "Conviver em paz".

O pretenso avanço, contudo, demonstrou ter bases frágeis.

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Neste domingo, o partido Vontade Popular, sigla do líder opositor preso Leopoldo López, rechaçou os termos do acordo entre governo e oposição e pediu a reativação do "juízo político" no Parlamento contra o presidente Nicolás Maduro, além de novos protestos nas ruas.

Num comunicado, o partido pede a formação de "um grande movimento cívico (...) para levar a Assembleia Nacional a retomar o julgamento político e declarar o abandono do cargo de Nicolás Maduro."

A divulgação do texto coincide com a mobilização de dezenas de líderes e apoiadores do Vontade do Povo para a prisão militar de Ramo Verde, onde Lopez está preso sob a acusação de incitação à violência durante as manifestações convocadas em 2014, que deixaram 43 mortos.

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A agremiação agradeceu aos "esforços de boa fé" da coalizão oposicionista Mesa da Unidade Democrática (MUD) no diálogo com o governo, mas criticou o fato de os acordos não mencionarem o referendo revogatório contra Maduro, suspenso no dia 20 de outubro.

A Mesa da Unidade Democrática se defendeu das críticas e afirmou que o seu objetivo continua sendo retirar o chavismo do poder.

"O progresso está sendo feito no sentido de criar condições propícias para recuperar o direito do povo venezuelano de votar", disse Jesús Torrealba, secretário executivo da MUD, referindo-se ao processo do referendo revogatório do mandato de Maduro.

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A MUD reafirmou que mantém a sua principal reivindicação: reviver o referendo ou realizar eleições antecipadas.

Nicolás Maduro, por sua vez, descartou a possibilidade de negociar uma antecipação das eleições, ou a reativação de um referendo revogatório, no diálogo em curso com a oposição.

"Saída eleitoral? Saída para onde? (...) Que ninguém fique obcecado com processos eleitorais que não estão na Constituição", advertiu Maduro.

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Maduro ressaltou que seu governo não vai ao diálogo como se fosse uma "rendição".

"Está tudo escrito, acordado entre as partes, por que então saem a dizer o contrário?", perguntou o presidente venezuelano.

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