Grupo completa dois meses em busca de urubu sumido no interior de SP
MARCELO TOLEDO
RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - O desaparecimento já completou dois meses, mas família e amigos estão nas buscas como se o sumiço tivesse ocorrido hoje. Mais de cem mensagens e ligações telefônicas foram recebidas sobre o seu suposto paradeiro, mas ninguém sabe o destino de Loro.
Aos dois anos de idade, o ?urubu de Indaiatuba?, como ficou conhecido, deixou de frequentar diariamente a casa da comerciante Telma Crepaldi, na zona rural da cidade.
Criado em meio a outros animais num sítio, ele se alimentava todo dia com carne moída e tomava banho em uma bacia. Não houve nenhum problema aparente que justificasse o seu desaparecimento, mas desde 30 de agosto ele não voltou mais para casa.
Desde então, uma busca frenética começou a ser feita por familiares e amigos em veículos de comunicação e redes sociais. A página ?Loro, o urubu querido de Indaiatuba? tem mais de 14 mil seguidores numa rede social, em que são postadas diariamente supostas pistas do paradeiro da ave, em cidades como Campinas e Elias Fausto. A página já existia antes do sumiço, mas era usada sobretudo para a postagem de selfies com o animal. ?Podemos, claro, ir até lá, afinal Elias Fausto é perto e já fomos muito mais longe, mas não temos informações ainda que nos levem a suspeitar que possa ser o Loro?, diz trecho de uma resposta sobre postagem recebida na página.
Em outra postagem, internautas discutem se um urubu visto numa sacada de um prédio poderia ser o animal desaparecido. Não era. ?Não temos nada ainda, infelizmente. Todas as pessoas querem ajudar, mas até agora não recebi nada concreto. Estamos atrás de todas as pistas?, disse Telma.
O urubu surgiu em sua vida quando um veterinário da prefeitura a procurou, por saber que ela era protetora animal, para comunicar que um urubu recém-nascido precisava de um lar depois de ter caído numa escola.
Ela disse que relutou muito em aceitar, mas foi convencida pelo veterinário depois de ele afirmar que, sem um lar, ele poderia morrer. ?Não tinha como não pegá-lo. Amo animais.?
Além de Loro, o sítio da família é habitado por uma porca, também criada com muita proximidade com a família, e 11 cães. ?As pessoas tentam de todas as formas ajudar, porque ele virou praticamente um símbolo na cidade. Era visto em todo lugar, era dócil, não oferecia perigo algum a ninguém. Desde o sumiço, mais de cem pessoas já me procuraram com possíveis informações?, disse a comerciante.
O pedido feito pelos protetores animais é de não prender ou maltratar o animal caso seja encontrado. Nas redes sociais, há imagens de crianças e jovens com Loro em locais da cidade, como parques, casas ou mesmo num carrinho de supermercado. ?Ele adora humanos e não oferece risco algum.?
PERTO DE CASA
O grupo de ?caçadores do urubu? acredita que ele esteja em alguma cidade próxima a Campinas. Nos dois anos de vida, chegou a ficar alguns períodos fora do sítio, mas nunca superior a três dias, de acordo com Telma, o que o transformou em membro da família.
Sua rotina, além de se alimentar com carne e tomar banhos, era marcada por ficar cerca de quatro horas no sítio e, de lá, voar para a cidade, onde era fotografado. Essas fotos funcionavam como um GPS para Telma, pois as pessoas as postavam nas redes sociais e a avisavam do paradeiro do urubu. Depois de 30 de agosto, isso não mais aconteceu. ?A gente espera muito que ele não esteja aprisionado e que possa voar, ter sua vida. A busca é principalmente para tentar saber se ele está bem, que é o que mais queremos.?
