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Brasileira jornalista do 'NYT' afirma ter sido alvo de xenofobia nos EUA

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ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER

NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - A baiana Fernanda Santos, 43, mora desde 1998 nos Estados Unidos, e no Estado do Arizona há quatro anos. Não se lembra de ter sido alvo de nenhum rompante xenófobo nesse tempo todo.

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Demorou, mas aconteceu. E aconteceu na quinta (10), dois dias após a vitória de Donald Trump, o republicano que fez da luta contra imigrantes ilegais uma de suas maiores bandeiras.

Um homem branco "como tantos outros aqui, meio careca, 60 e poucos anos", irritou-se porque ela falava espanhol e mandou ela "fuck off" (ir se fuder).

Fernanda conversava no telefone com a babá mexicana da filha Flora, 7, e ele tinha pedido "já de um jeito agressivo" que ela falasse inglês. A brasileira só conseguiu reagir dizendo que dominava quatro línguas, daí se seguiu a violência verbal.

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Correspondente-chefe do "The New York Times" no Estado sulista, ela nunca havia sofrido nada parecido. Relatou o caso no Twitter: "Ele era um homem branco mais velho, talvez o bastante para ser meu pai. Estou tremendo".

"Eu que sempre achava que ia ter a reação mais madura, só consegui dizer que falava quatro idiomas", conta por telefone. "Mas não vale a pena brigar. Não sei se tem algum problema mental, se estava tendo um dia muito ruim ou apenas era ignorante e racista."

Parecia um sujeito qualquer num centro comercial em Phoenix, a capital do Estado onde Trump ganhou com 49,5% dos votos (a democrata Hillary Clinton teve 45,4%). "Não senti o cabelinho no meu pescoço levantar, era uma pessoa comum tomando café do lado de fora."

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A tensão demográfica aflora. Lá, democratas só venceram uma vez desde 1948: com Bill Clinton, em 1996. Hillary chegou a batalhar pelo Estado, por acreditar que o aumento dos latinos (31%) poderia virar o jogo.

Fernanda prefere não dizer em quem votou. Acha que o homem que a xingou até estava em seu direito ("ele nunca me tocou e tem liberdade de dizer o que disse, é protegido pela Constituição"). Mas para ela uma coisa é certa: Trump pode ter acendido o pavio, mas a pólvora da xenofobia estava latente há tempos.

"Se [o que o homem fez] foi influenciado por Trump, acho irrelevante. Dizer que é por causa dele é de certa forma uma desculpa. Ignorância é um fenômeno mundial que acontece há muitas gerações. Talvez ele tenha legitimado [o preconceito], mas não é a causa."

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Ela também não gosta da ideia de forçar uma guerra racial. A um seguidor do Twitter disse: "Não culpo todas as pessoas brancas. Meu marido é um homem branco bem legal. Culpo a ignorância, e a ignorância não tem cor".

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