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Policial civil é condenado por agredir comerciante em bairro nobre de SP

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MARTHA ALVES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um policial civil e uma estudante foram condenados à prisão pela agressão ao comerciante iraniano Navid Sayasan, em janeiro deste ano. A decisão da Justiça cabe recurso.

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A Justiça de São Paulo condenou José Camilo Leonel a 11 anos, nove meses e 10 dias de prisão por agredir o comerciante. Iolanda Delce dos Santos foi condenada a seis anos e seis meses de prisão.

A juíza Maria Priscilla Ernandes Veiga Oliveira determinou também que Leonel pague multa de R$ 20 mil por abuso de autoridade, além de ter a aposentadoria suspensa e seu cargo cassado.

A Promotoria pediu o arquivamento do caso contra Iolanda, mas a juíza não aceitou. Para ela, há indícios de participação da estudante na tortura e constrangimento ilegal contra o comerciante.

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O comerciante foi agredido pelo policial dentro e fora da loja Tapetes Fabriz, nos Jardins, bairro nobre de São Paulo. Ele foi ao local a pedido de Iolanda, que tinha se arrependido da compra de um tapete de R$ 5.000, com pagamento em cinco parcelas com cheques.

Sayasan disse para mulher que não iria desfazer o negócio, mas fez a proposta dela trocar a mercadoria por outra do mesmo valor. Iolanda não aceitou e foi embora, deixando o tapete na loja.

Dias depois, a estudante retornou ao estabelecimento comercial para pedir novamente a devolução do pagamento. Com a negativa de Sayasan, a mulher disse que chamaria a polícia para resolver o caso.

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Do lado de fora da loja, Iolanda começou a acenar para Leonel, que a esperava dentro de um carro da Polícia Civil.

Leonel entrou na loja, sem se identificar como policial, exigindo que o comerciante mostrasse a nota fiscal original da venda do tapete. Ele explicou que não tinha o documento, que era eletrônico, e que o termo de devolução não foi entregue por Iolanda.

Antes que Sayasan terminasse a explicação, o policial deu voz de prisão pela prática de crime contra o patrimônio e o pegou à força pelo braço tentando algemar. O comerciante tentou se soltar e pediu para o réu se identificar, pois não tinha cometido o crime.

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As câmaras de segurança da loja gravaram o policial dando rasteiras, chutes e apertando o pescoço do iraniano. Douglas Cristian Neves, funcionário da loja, pediu para que o acusado parasse a tentou separar os dois. Leonel sacou a arma, apontou para a cabeça de Neves e disse: "sai!".

Em seguida, o policial apontou a arma para Sayasan, deu um soco na cabeça dele e exigiu que entregasse a identidade. Ele pegou o documento do comerciante sem olhar e colocou no bolso.

O réu arrastou a vítima para o lado de fora da loja e tentou colocá-la na viatura. Neste momento, deu mais dois socos no comerciante, que correu para o interior da loja para se proteger.

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De acordo com o processo, o policial acionou o Cepol (Centro de Operações da Polícia Civil) para solicitar apoio de outros policiais para uma falsa ocorrência de resistência, crime conta a economia popular e tentativa de fuga.

Dez minutos após a solicitação de apoio, vários policiais do GOE (Grupo de Operações Especiais) chegaram à loja. O réu pediu para um policial para lhe entregar o fuzil e algemar o comerciante.

O iraniano e o funcionário foram colocados em uma viatura do GOE e levados ao DPPC (Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania).

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A delegada concluiu que o comerciante não tinha cometido nenhum crime e que o policial tinha cometido excessos. Ela ouviu as testemunhas e acionou a Corregedoria da Polícia Civil para investigar o caso.

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