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Chineses e filipinos defendem relação 'sem confrontações' com Trump

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JOHANNA NUBLAT

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente chinês, Xi Jinping, disse esperar uma relação com o presidente eleito dos EUA, Donald Trump, sem conflito ou confrontação, e baseada no respeito mútuo e numa cooperação em que os dois lados saem ganhando.

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Texto publicado pela agência estatal de notícias Xinhua, nesta quarta (9), informa que Xi se disse ansioso para trabalhar com Trump "para expandir a cooperação entre China e Estados Unidos em todos os campos, nos níveis bilaterais, regionais e globais, com base nos princípios de não entrar em conflito e confronto, de respeito mútuo e cooperação em que todos ganham, com as diferenças controladas de maneira construtiva".

"Os dois países, como as maiores economias do mundo, carregam a responsabilidade singular de manter a paz e a estabilidade mundiais, e de ampliar o desenvolvimento global e a prosperidade", escreveu a agência, citando comentários do presidente chinês.

Mais de uma vez durante a campanha, Trump disse que os americanos vêm sendo roubados pelos chineses, que deflagram, segundo ele, uma espécie de guerra econômica contra seu país.

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"Eles tiraram nossos empregos e nosso dinheiro", disse o bilionário em abril, em um ato em Nova York. "Não podemos continuar a ser roubados como estamos sendo roubados."

O republicano ameaçou aplicar altas tarifas sobre importados chineses, "porque eles têm que entender que não estamos mais brincando", disse em agosto, na Flórida.

As reações públicas de Pequim foram relativamente moderadas, mas em abril o então ministro de Finanças da China, Low Jiwei, chamou Trump de "uma figura irracional".

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LADRAR E MORDER

Em artigo publicado em janeiro, Thomas Wright (Brookings Intitution) e Andrew Shearer (CSIS) afirmam que, desde a normalização das relações entre os EUA e a China, na década de 1970, tem sido comum que os candidatos presidenciais "ladrem mais que mordam" em relação aos chineses -algo que não ocorreu com Barack Obama, que acabou sendo mais duro com a China após eleito, explicam.

"Ronald Reagan [1981-1989] renegou sua promessa de reestabelecer relações oficiais com Taiwan. Bill Clinton criticou o presidente George H. W. Bush [1989-1993] por se aproximar da China após o massacre da Praça da Paz Celestial, em 1989, e por ignorar direitos humanos. Como presidente, Clinton [1993-2001] não conectou comércio com direitos humanos, apesar de ter prometido fazê-lo", escreveram no artigo.

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Wright e Shearer continuam os exemplos: "Como candidato, George W. Bush criticou Clinton por tratar a China como um parceiro estratégico em vez de um competir estratégico. Mas, quando confrontado com o incidente das ilhas Hainan meses após sua posse [serviu como presidente entre 2001 e 2009], quando uma aeronave de monitoramento americana foi derrubada em colisão com um jato chinês, ele ignorou vozes radicais e negociou uma saída".

FILIPINO POLÊMICO

Depois de semanas de polêmicas em sua relação com Obama e de chegar a anunciar sua "separação" dos Estados Unidos (posição amenizada depois), o presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, parabenizou Trump pela vitória e disse que espera poder trabalhar com ele para melhorar as relações entre os dois países.

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"Eu gostaria de felicitar o senhor Donald Trump. Vida longa", disse Duterte nesta quarta (9), durante visita à Malásia. "Não quero brigar mais, porque Trump ganhou."

Em setembro, o polêmico líder filipino chamou Obama de "filho da puta", o que provocou o cancelamento de um encontro entre os dois mandatários, em setembro.

COREIAS

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Em sua campanha, Trump também causou preocupação na comunidade internacional em relação a Japão e Coreia do Sul, ao dizer que estaria aberto a que os dois aliados se armassem nuclearmente para não mais dependerem do suporte americano na região contra ameaças da Coreia do Norte e da China.

Nesta quarta (9), uma das lideranças do partido da situação sul-coreano disse acreditar que a proposta de instalar um sistema de defesa antimísseis americano na Coreia do Sul, contra as ameaças do vizinho do Norte, irá adiante, mesmo sob a administração Trump.

A Coreia do Norte, que em junho chamou Trump de "um político sábio" em um artigo de jornal estatal, ainda não se manifestou sobre a vitória do republicano por meio de sua agência de notícias KCNA.

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Em texto publicado nesta quarta (9), mas antes do resultado das eleições americanas, a KCNA criticou a política de Obama para a Coreia do Norte e defendeu que os americanos, "independentemente de quem ganhe a eleição", reconheçam o país asiático como uma potência nuclear.

CHOQUE

Falando à Folha de S.Paulo dias antes das eleições, Thomas Wright, do centro de estudos Brookings e diretor do Projeto sobre Ordem Internacional e Estratégia, disse se preocupar com um choque significativo no sistema internacional com a eventual vitória do republicano.

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"A eleição do Trump seria um dos maiores choques ao sistema internacional em décadas, criaria enorme incerteza, pode produzir uma crise bem rápido, porque ele ameaça dissolver ou remover as alianças americanas. Seria preocupante para muitos países."

Inserido em seu discurso de a "América primeiro", Trump condenou parcerias internacionais, entre elas o TPP (Parceria Transpacífico), fechado em 2015 com Japão e outras dez nações da baía do Pacífico.

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