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Ambientalistas pedem que esforços pelo clima não diminuam com Trump

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ANA CAROLINA AMARAL

MARRAKECH, MARROCOS (FOLHAPRESS) - Pelos corredores da Conferência da ONU sobre o Clima (COP-22), o eco do discurso anti-Acordo de Paris de Donald Trump assusta diplomatas, que não comentam o resultado da eleição, e ambientalistas, que apelam para que os esforços pelo clima não sejam abatidos.

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O republicano deixou claro na campanha que não trabalharia pelas metas americanas de reduzir 28% das emissões de carbono na próxima década. Negacionista da mudança climática, ele também ameaçou deixar o Acordo de Paris, que busca conter o aquecimento da atmosfera terrestre entre 1,5º C e 2º C e agora é lei internacional.

A expressão geral pelos corredores é de choque: ninguém parece ter contado com esse resultado, embora já houvesse estudos de cenário alertando as delegações para o efeito Trump antes que elas desembarcassem em Marrakech, como a Folha revelou na sexta-feira. Trump também não teria condições de deixar o Acordo de Paris no seu primeiro mandato, já que esse processo levaria quatro anos para se concluir.

Um membro da delegação europeia afirmou que deixar o Acordo de Paris teria um alto custo político para o governo Trump e que, portanto, não acredita que ele faria isso.

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O principal receio revelado pelas delegações é de que o processo diplomático volte a se arrastar, como aconteceu com o Protocolo de Kyoto, primeiro acordo climático global. Celebrado em 1997 mas sem contar com a assinatura dos Estados Unidos, o documento só entraria em vigor oito anos depois, em 2005.

Diante do desalento climático, a aposta em um acordo global chegou a ser substituída por uma aposta no nível local. Para um observador das negociações, Estados progressivos como a Califórnia têm leis e metas mais ousadas que o resto do país e podem provar um caminho de baixo carbono a partir das leis locais, sem depender de Trump.

EFEITO CASCATA?

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Além da derrubada de expectativas sobre a regulamentação do acordo em Marrakech, o fato dos Estados Unidos não se comprometerem em fazer sua lição de casa também desencorajaria outros países a seguir numa transição energética a médio prazo. Isso se dá porque a conta das emissões que levam ao aumento da temperatura é feita globalmente. Negociadores de diferentes países entendem que o engajamento isolado no corte de emissões seria desperdiçado se grandes emissores não se comprometerem.

A interpretação mais otimista, no entanto, aposta que com o Acordo de Paris será diferente. O fato do documento ter entrado em vigor em tempo recorde significa que os países estão dispostos a fazer a transição energética e não dependeriam mais de uma posição americana para progredir com a regulamentação do acordo.

Um observador que acompanha a delegação europeia e prefere não se identificar aposta que uma saída dos Estados Unidos também poderia abrir espaços para outros países protagonizarem as negociações. Ele lembra que a União Europeia passou a liderar as conversas sobre o clima no Protocolo de Kyoto justamente quando os Estados Unidos se colocaram de fora. Também faz críticas à administração Obama, que não tinha maioria no Congresso, e afirma que o país puxava a negociação para condições mais flexíveis e menos comprometidas.

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Até agora, ninguém sinaliza mudança de postura ou diminuição de esforços. A China tem cobrado os Estados Unidos, desde antes das eleições, que cumpram sua meta com o clima. Se Trump tiver algum efeito para a negociação climática, o contexto do Acordo de Paris sinaliza um consenso rumo às energias renováveis e também parece produzir o mesmo efeito de volta: países com propostas climáticas não parecem dispostos a tirar suas fichas da mesa.

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