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Incerta, política externa de Trump gera ansiedade no Oriente Médio

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DIOGO BERCITO

VIENA, ÁUSTRIA (FOLHAPRESS) - A eleição de Donald Trump nos EUA nesta quarta-feira (9) é motivo de ansiedade em todo o Oriente Médio. Governos regionais tentam decifrar a ainda inconsistente política externa do republicano e descobrir como beneficiar-se dela.

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Assim que a vitória de Trump foi anunciada, por exemplo, o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, afirmou que ele é um "verdadeiro amigo de Israel".

Naftali Bennett, ministro israelense da Educação, comemorou também a eleição. Ele afirmou que essa é uma "tremenda oportunidade" para Israel negar o estabelecimento de um Estado palestino. "A era do Estado palestino acabou."

O governo israelense pode de fato ter algumas razões para otimismo. Netanyahu e Obama não tinham boas relações -o presidente americano foi uma vez flagrado reclamando do premiê para o então presidente francês, Nicolas Sarkozy.

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Ademais, quando Hillary Clinton foi secretária de Estado americana, ela desviou o foco da política externa para o sudeste asiático, em um movimento que levou a ressentimentos na região, acostumada à constante atenção e intervenção dos EUA.

Trump, por sua vez, já deu sinais de ter interesse em fortalecer seus laços com Israel, e a solução do conflito entre israelenses e palestinos não deve ser uma de suas prioridades.

Na espera de mais clareza nesse cenário, Mahmoud Abbas, presidente palestino, congratulou Trump e afirmou esperar que a paz chegue durante seu governo. A facção radical palestina Hamas disse paralelamente não distinguir entre o republicano e a democrata, que teriam políticas semelhantes em relação à causa palestina.

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A eleição de Trump também pode afetar diversas de outras políticas americanas no Oriente Médio. Por exemplo, a resolução do conflito sírio, em que até então os EUA vinham antagonizando com a sua rival Rússia.

Trump demonstrou interesse em aproximar-se de Vladimir Putin, presidente russo, o que poderia alterar a dinâmica do embate. Os EUA são um dos principais críticos dos bombardeios russos sobre a cidade síria de Aleppo, por exemplo, que têm auxiliado o regime sírio de Bashar al-Assad.

Sem o freio americano, a Rússia pode consolidar sua posição no Oriente Médio e ajudar o ditador Assad a derrotar as forças armadas de oposição.

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IRÃ

A ascensão de Trump preocupa, ainda, o Irã. Os EUA assinaram um pacto nuclear com o país no ano passado, com a perspectiva de aliviar as sanções que têm sufocado a economia local.

O acordo é visto como um importante legado da administração de Obama. Mas, criticado por republicanos no Congresso, o pacto pode agora ser revertido. Trump já demonstrou não gostar do arranjo.

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Em março ele afirmou a um grupo de lobby pró-Israel que sua "prioridade número um" seria "desmantelar o acordo desastroso com o Irã". A medida causaria bastante desconforto na Europa, cujos empresários se preparam para investir no país durante o fim das sanções.

Mas Hassan Rouhani, presidente iraniano, afirmou nesta quarta que o resultado das eleições não deve afetar as políticas de Teerã, de acordo com agência de notícias estatal IRNA.

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