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Trump tornará trabalho 'mais difícil' para União Europeia, diz líder do bloco

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DIOGO BERCITO, ENVIADO ESPECIAL

VIENA, ÁUSTRIA (FOLHAPRESS) - A vitória de Donald Trump na eleição presidencial americana foi recebida com preocupação no continente europeu.

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Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, afirmou que Trump tornará o trabalho "mais difícil" para a União Europeia. "Mas ele é o presidente eleito."

As bolsas europeias abriram quase ao mesmo tempo em que a vitória do republicano Donald Trump foi anunciada. Assustadas, elas despencaram.

O índice espanhol Ibex 35 caiu 3,9% no início das negociações. Houve baixas também na França e no Reino Unido. Segundo a Bloomberg, as bolsas europeias não haviam caído tanto desde o "brexit", votação britânica por deixar a União Europeia, em 23 de junho.

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A Europa tem razões o bastante para preocupar-se. A presidência de Trump é vista nesse continente como uma ameaça à Otan (aliança militar ocidental) -pacto hoje fundamental, diante do fortalecimento do presidente russo Vladimir Putin.

O republicano chegou a dizer, durante sua campanha, que no caso de um ataque russo contra um membro da Otan ele levaria em consideração o quanto o país agredido havia gasto com sua defesa antes de prover auxílio. Os membros são obrigados pelo pacto a se proteger.

Ursula von der Leyen, ministra da Defesa da Alemanha, descreveu a vitória de Trump como "um grande choque" e pediu garantias de seu comprometimento com a aliança militar. "Há muitas perguntas para serem respondidas", afirmou durante a manhã.

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Em meio ao pânico, os embaixadores americanos à Otan e à União Europeia tentaram tranquilizar os aliados, insistindo em que a cooperação entre EUA e o bloco europeu não está ameaçada.

Douglas Lute, embaixador à aliança militar, afirmou que haverá "continuidade". Anthony Gardner, embaixador à UE, pediu que líderes europeus não tirem conclusões precipitadas sobre a administração Trump. "É muito cedo", disse a repórteres. "Qualquer governo americano perceberá a importância das relações entre EUA e União Europeia."

Federica Mogherini, que chefia a diplomacia europeia, afirmou que esses laços são "mais profundos do que qualquer mudança na política".

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COMÉRCIO

Além da Otan, a Europa preocupa-se com os efeitos da eleição de Trump nas relações comerciais entre o bloco e os EUA.

A União Europeia exportou aos EUA o equivalente a 371 bilhões de euros em 2015 e importou dali 248 bilhões de euros.

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Está em negociação um acordo de comércio entre ambas as regiões, o TTIP, já criticado por Trump. Ele deve fortalecer o protecionismo americano, que desagrada a UE.

Empresários europeus temem, ademais, que Trump mine o acordo nuclear com o Irã e impossibilite os investimentos latentes no país, recentemente retomados pelas perspectivas do fim das longas sanções impostas pela comunidade internacional.

A imprensa na União Europeia também reagiu negativamente à eleição de Trump. O jornal catalão "El Periódico" estampou em sua capa uma fotografia do republicano com os dizeres "Deus perdoe os EUA". Mariano Rajoy, premiê espanhol, havia anteriormente felicitado o novo presidente americano.

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AMANHÃ, A FRANÇA

Alguns líderes europeus, no entanto, receberam bem a vitória do republicano. Marine Le Pen, do partido francês de extrema direita Frente Nacional, congratulou o presidente em uma mensagem divulgada nas redes sociais. Seu pai, Jean-Marie Le Pen, fundador da sigla, afirmou: "Hoje os EUA, amanhã a França."

Assim como Trump, a Frente Nacional faz campanha em torno de uma mensagem contrária à imigração e tem ganhado apoio no país. Pesquisas preveem que Marine Le Pen chegue ao segundo turno francês, em 2017.

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A presidência de Trump também deve agradar a outros partidos de direita, em crescimento em países como Alemanha, Reino Unido e Áustria.

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