ATUALIZADA - Em vitória importante, Trump leva votos da Carolina do Norte
ISABEL FLECK, ENVIADA ESPECIAL
RALEIGH, EUA (FOLHAPRESS) - As esperanças de Hillary Clinton de vencer na Carolina do Norte acabaram com 93% dos votos apurados.
A rede CNN e o jornal "New York Times" confirmaram a vitória de Donald Trump com 51,2% dos votos contra 46,1% da democrata.
A Carolina do Norte era um dos grandes suspenses da eleição deste ano, já que as pesquisas de intenção de voto mostravam um empate entre Trump e Hillary até a véspera da eleição.
O Estado votou com os republicanos em todas as eleições presidenciais nos últimos 40 anos, com exceção de 2008, quando Barack Obama venceu John McCain.
Para Hillary, era importante levar os 15 votos do Estado para frear o rival.
A importância da Carolina do Norte fez os dos candidatos programarem, de última hora, comícios em Raleigh na véspera da eleição, com apenas dez horas de diferença entre os eventos.
Na terça-feira (8), cerca de cem voluntários democratas -parte deles vindos de outros Estados- ainda telefonavam e batiam de porta em porta na capital da Carolina do Norte para garantir mais votos. "Estamos ligando para quem ainda não foi votar. Só vamos parar quando fecharem as urnas", disse Julia Lee, uma das diretoras da campanha no Estado, à reportagem.
Foram eleitores como o corretor de seguros Jon Gastineau, 81, no entanto, que bloquearam Hillary. Gastienau votou antecipado e passou boa parte da terça-feira conversando com eleitores que chegavam a uma sessão de votação numa igreja presbiteriana em Raleigh.
"Trump vai limpar essa sujeira. Ele vai rever a imigração, reconstruir nossa Defesa e trazer de volta empregos", disse o corretor, usando a frase repetida sempre pelo candidato republicano.
Na Carolina do Norte, 45% dos eleitores votaram nas semanas anteriores à eleição -índice maior que os 41% de 2012. Destes, 42% eram democratas e 32% de republicanos.
Para o historiador William Ferris, da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, o voto na Carolina do Norte pode ajudar a decidir o próximo presidente. "Os eleitores aqui estão divididos entre as grande populações em áreas urbanas como Charlotte e os arredores de Raleigh, que apoiam Hillary, e aquelas nas áreas rurais, que apoiam Trump", disse.
Nas grandes cidades, a campanha democrata mirou, nas últimas semanas, os negros (21% do eleitorado do Estado) e os jovens, trazendo Barack Obama para o Estado na última semana e a cantora Lady Gaga na madrugada da eleição. Não adiantou.
FALHA
No fim da tarde, um pedido do condado de Durham ameaçou atrasar o encerramento da eleição no Estado. Na região onde Barack Obama teve seu melhor desempenho (76% dos votos) em 2012 -quando perdeu o Estado para Mitt Romney -o comitê eleitoral pediu que a votação fosse estendida por mais uma hora e meia, até as 21h (meia-noite em São Paulo) por causa de problemas com o sistema eletrônico de identificação dos eleitores.
A falha causou lentidão, e em alguns locais, o sistema foi substituído pela verificação manual. Muitas pessoas acabaram desistindo de votar diante da espera.
Um juiz, no entanto, negou o pedido e as urnas fecharam no horário previsto.
"Parece que parte dos dados de eleições passadas não foram limpos [do sistema], e algumas pessoas estavam sendo impropriamente listadas como se já tivessem votado", disse Bill Brian, presidente do comitê eleitoral local, que pediu o adiamento.
"Parece que eles não tinham o software certo. Por que isso aconteceu não sabemos ainda."
