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ATUALIZADA - Trump dificulta disputa em Estados-chave

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MARCELO NINIO, ENVIADO ESPECIAL, ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER, PATRÍCIA CAMPOS MELLO E ISABEL FLECK, ENVIADA ESPECIAL

FILADÉLFIA, NOVA YORK, MIAMI E RALEIGH, EUA (FOLHAPRESS) - O candidato republicano Donald Trump surpreendeu e, em Estados-chave, dificultou a vida de Hillary Clinton, a quem todas as projeções antes das eleições davam como favorita.

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A possibilidade de uma vitória do republicano fez disparar uma onda de nervosismo nos mercados mundiais. O índice futuro do S&P 500 (espécie de como a Bolsa de Nova York vai reagir na sua abertura) recuava 3% até o momento.

Na Ásia, as Bolsas também passaram a cair com o avanço de Trump. Tóquio tinha queda de 2,2%, Hong Kong, 2,7%, e Seul, 3,2%.

O México, tradicional parceiro americano, também foi castigado. O peso (moeda local) caia 10%, um tipo de queda que não era visto desde a crise global de 2008. O temor é que a chegada de Trump ao poder dê fim ao acordo de livre-comércio com o país.

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Até a 1h30 desta quarta-feira (9), o republicano já tinha obtido uma vitória importante nos Estados-pêndulo: Ohio, que tem 18 votos. Na Flórida e na Carolina do Norte, com apurações em mais de 80%, ele também liderava.

Até esta hora, a rede CNN projetava a vitória do empresário em 19 Estados, o que lhe garantia 167 delegados dos 270 necessários para chegar à Casa Branca.

Hillary, por sua vez, tinha vencido em onze Estados, somando, com segurança, 109 votos no Colégio Eleitoral. Mas a Califórnia, de forte tendência democrata e com 55 delegados ainda não tinha seus votos apurados. A expectativa era de que Hillary tinha garantidos ao menos 203 votos.

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Na Flórida, que possui 29 votos no Colégio Eleitoral, e apresentava um dos cenários mais apertados, com 95% dos votos apurados, 49,2% dos votos estavam com Trump, e 47,7%, com Hillary.

As diferenças entre os dois lados da campanha resultou numa das eleições com maior polarização política e tensão racial da história, despertando temores de que a divisão será mantida depois que a disputa chegar ao fim.

A campanha será lembrada como uma das mais sujas da história, com várias empreitadas polêmicas, a maioria protagonizada por Trump.

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Sem um plano de governo claro, o candidato republicano concentrou-se em insultos contra os rivais, colando neles apelidos pejorativos, como "Hillary trapaceira".

Mais comedida, Hillary também entrou na campanha negativa, explorando as declarações de Trump contra latinos, muçulmanos e mulheres para enfatizar que ele não tinha temperamento para ser presidente.

Uma das únicas certezas era de que a Câmara -que teve eleições para todos os seus assentos-, continuará com maioria republicana.

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As redes ABC e NBC informaram que os republicanos, como previsto em pesquisas de opinião, manteriam o controle da Câmara, maioria que eles já têm desde 2011.

A disputa pelo Senado continuava em aberto até o momento.

O mandato dos integrantes da Câmara tem dois anos de duração, e a renovação ou reeleição vale para todos.

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Foi um duelo de visões de mundo bem diferentes em diversos temas, mas acima de tudo entre a continuidade das políticas de Barack Obama, com Hillary, e a ruptura radical proposta por Trump.

Vendo seu legado em risco, Obama entrou na campanha como nenhum de seus antecessores na história recente, tornando-se um cabo eleitoral de luxo para Hillary. Do outro lado, Trump prometia reverter medidas centrais da atual administração, como a reforma do sistema de saúde e o plano para evitar a deportação de imigrantes.

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A melhora da economia serviu de impulso para Hillary, mas não escapou da guerra de narrativas entre os candidatos. Trump atraiu principalmente eleitores de classe média baixa, afetados pela desindustrialização em algumas partes do país e que sentem que perderam espaço econômico e político nas últimas décadas com o crescimento das minorias que mudou o perfil demográfico dos EUA.

Os números comprovam a retomada da economia após a recessão de 2008. A mais recente taxa de desemprego, de outubro, era de 4,9%, após bater em 10% em 2009.

Mas a retórica contra o sistema político que moveu a campanha de Trump também alvejou a credibilidade das estatísticas do governo, com o bilionário afirmando que a taxa real de desemprego é de pelo menos 10%, algo que não pôde comprovar.

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Trump também bombardeou Obama por comandar a recuperação mais lenta desde a Segunda Guerra (a previsão do FMI é de alta do PIB 1,6% neste ano), desta vez com com base em fatos.

Para a maioria dos economistas, porém, os planos do republicano, com grandes cortes de impostos e restrições à imigração, poderiam causar sérios danos ao país, levando-o de volta à recessão.

HOMEM BRANCO

Por outro lado, Trump conquistou uma parcela da população que ficou para trás na retomada econômica, principalmente homens brancos sem nível superior. Mas a atração desse eleitorado por Trump não pode ser medida apenas pelo estado da economia, já que seus eleitores têm renda acima da média nacional, segundo cálculo do site "FiveThirtyEight".

Passada a disputa, a grande questão é como o vencedor será capaz de unir um país rachado entre eleitorados que, em grande medida, foram movidos pelo ódio ao candidato rival.

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