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ONGs pedem que Brasil tire incentivo ao uso de energia baseada em carvão

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ANA CAROLINA AMARAL

MARRAKECH, MARROCOS (FOLHAPRESS) - A Conferência do Clima em Marrakech (COP) está apenas no seu segundo dia e o Brasil já está sendo cobrado pela incoerência entre seu discurso internacional e a prática nas políticas internas.

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Desta vez a crítica se dirige à possibilidade de o governo subsidiar termelétricas movidas a carvão, caso a Medida Provisória 735 seja sancionada pelo presidente Michel Temer. O texto, que trata privatizações do setor elétrico, embute no artigo 20 um incentivo de R$ 5 bilhões às termelétricas movidas a carvão mineral.

A reportagem teve acesso antecipado ao Eco, boletim que começa a circular nesta manhã ente as negociações da COP e que critica a escolha do Congresso brasileiro, fazendo um apelo pelo veto.

"O mundo está assistindo ao que acontece no Brasil e esperando coerência de um país que tem todo o potencial para ser um dos primeiros a alcançar 100% de energias renováveis", cobra o texto, endossado por mais de 100 organizações internacionais sob a sigla CAN (Climate Action Network).

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CAVAR

Intitulado "Primeira regra quando você está em um buraco: pare de cavar", o texto também traz o contexto internacional e cobra países como Japão e Turquia a buscar fontes alternativas de energia. Quem frequenta as anuais Conferências Clima está acostumado a receber um exemplo do boletim, que pauta as conversas pelos corredores da COP.

Segundo a Associação Brasileira do Carvão Mineral, o incentivo ao carvão garantiria "energia firme e barata" para o país. Já organizações ambientalistas são unânimes em condenar a opção, que sairia cara para o clima e para a saúde pública.

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"As indústrias de combustíveis fósseis já perceberam que seu tempo está se esgotando e estão fazendo o possível para prolongar sua existência", explica Pedro Telles, coordenador de Clima e Energia do Greenpeace. Para Telles, é justamente o contexto de progresso no acordo climático que gera a reação dos produtores de combustíveis fósseis.

"Mas se a gente quiser se comprometer com o Acordo de Paris e agir sobre as mudanças climáticas, que já mostram suas consequências pelo mundo, precisamos combater a fonte de energia mais suja que existe", conclui.

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