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Na véspera da eleição, Trump canta vitória em Estados-chave

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ISABEL FLECK, ENVIADA ESPECIAL

RALEIGH, CAROLINA DO NORTE, EUA (FOLHAPRESS) - "Estamos a um dia da mudança pela qual vocês estão esperando a vida toda", disse o candidato republicano, Donald Trump, a um ginásio com capacidade para 7.000 pessoas praticamente lotado, em Raleigh, na Carolina do Norte.

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O discurso de 45 minutos na tarde desta segunda-feira (7) foi apenas o segundo de cinco que o republicano faria na véspera da eleição, em cinco Estados-chave: além da Carolina do Norte, Flórida, Pensilvânia, New Hampshire e Michigan.

A agenda frenética também se impôs do lado democrata, com quatro discursos de Hillary Clinton em três dos cinco Estados escolhidos por Trump: Carolina do Norte, Michigan e Pensilvânia. Neste último, na Filadélfia, se juntariam, na noite desta segunda, o presidente Barack Obama e a primeira-dama, Michelle, além de Bill e Chelsea.

A corrida contra o tempo diante de um cenário bastante apertado ficou evidente no agendamento, de última hora, de muitos desses comícios, como os dois da Carolina do Norte. Hillary, por exemplo, decidiu discursar também em Raleigh, à meia-noite (3h de terça em Brasília), em seu último empurrão antes de as urnas serem abertas em todo o país.

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Na cidade da Carolina do Norte, horas antes, Trump cantava vitória e criticava as previsões feitas pela "mídia desonesta". "Estamos ganhando em Ohio, em Iowa, em New Hampshire. Eu ouvi que estamos ganhando na Carolina do Norte, na Flórida e acho que vamos vencer no grande Estado da Pensilvânia", disse Trump, sendo ovacionado pelo público, majoritariamente branco.

Segundo a média das pesquisas feita pelo site Real Clear Politics, o republicano estava, na segunda, realmente à frente de Hillary em Ohio, Iowa e Carolina do Norte, com 3,5, 3 e 1,5 pontos de vantagem respectivamente. Na Pensilvânia, na Flórida e em New Hampshire, porém, era a democrata que liderava -apesar de nos últimos dois a vantagem ser de menos de 1 ponto percentual.

Na média de intenção de votos nacional, no entanto, Hillary entrará no dia da eleição 3,2 pontos à frente do rival -o melhor desempenho da última semana, possivelmente impulsionada pela confirmação do FBI, no domingo (6), de que a democrata não será acusada criminalmente pelo uso de um servidor privado de e-mail enquanto era secretária de Estado.

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SISTEMA CORRUPTO

Além de contestar as pesquisas, Trump usou seu discurso na Carolina do Norte para criticar Hillary -"a pessoa mais corrupta", que está sendo "protegida por um sistema corrupto", em referência ao anúncio do FBI de que não será processada. A cada menção ao caso, a plateia respondia com gritos de "prendam-na".

"Hillary é uma criminosa", respondeu à reportagem o comerciante James Porter, 32, quando perguntado por que votaria no bilionário. "Se Trump fosse criminoso, também não votaria nele. Mas eu gosto do que ele diz."

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Entre o público dos eleitores do republicano, se ouve muito sobre uma possível desonestidade de Hillary, mas também sobre a necessidade de mudança. "Precisamos de alguém que coloque o país de volta nos trilhos e Trump, pelo menos, tem um plano", afirmou a dona de casa Sharon Austin, 60.

A Carolina do Norte, com 15 delegados no Colégio Eleitoral, tem um histórico mais republicano, mas foi vencida por Obama em 2008. A proximidade de Hillary nas pesquisas fez com que os dois candidatos incluíssem, no fim de semana, novos comícios no Estado -que já tinha sido visitado pelos dois na última semana.

Para atingir os eleitores da Carolina do Norte, Trump voltou a falar muito em "trazer os empregos de volta para a América" e em acabar com o Obamacare -o sistema de saúde implementado por Obama. "Vou fazer com que os empregos parem de deixar a Carolina do Norte", disse, sob aplausos.

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Para o cientista político Kerry Haynie, da Duke University, os comícios de última hora são mais uma tentativa de tirar os eleitores de casa do que de conquistar novos votos. "As visitas dos últimos dias são menos para mudar o voto do eleitor e mais para que nenhum voto fique sobre a mesa", diz.

Tanto Hillary como Trump têm insistido para que essa eleição seja a de maior participação da história. Para isso, as altas taxas de rejeição de ambos podem tanto ajudar -levando mais gente a votar "contra" o outro candidato- como atrapalhar -desmotivando o eleitor a ir à urna.

Em 2012, 133 milhões de eleitores votaram. Em 2008, 131 milhões.

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