ATUALIZADA - Corpos encontrados na Grande SP são de jovens desaparecidos, diz ouvidor
ROGÉRIO PAGNAN
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ouvidor das polícias, Julio César Fernandes Neves, afirmou nesta segunda-feira (7) que há indícios de que os corpos encontrados neste domingo (6) em uma área rural de Mogi das Cruzes (Grande SP) sejam dos cinco jovens desaparecidos na zona leste de São Paulo.
"Com certeza, são eles. Foi execução, com certeza. Um deles estava sem cabeça. Não se sabe ainda se foi uma decapitação ou algum animal que fez isso depois", afirmou Neves, que ressaltou ainda que exames de raio-x apontaram sinais de disparos de arma.
A certeza dele vem da confirmação da prótese da tíbia de um dos jovens desaparecidos ?Caique Henrique Machado, 18. "A mãe disse que Caique tinha essa prótese", disse o ouvidor.
Os corpos achados estavam perto da estrada vicinal do Taquarassu. De acordo com o delegado do 2º DP de Mogi das Cruzes, José Carlos Santos Alvarenga, os corpos estavam enterrados em uma ribanceira, cobertos por terra e cal e apresentavam avançado estado de decomposição.
Os jovens da zona leste de São Paulo estavam desaparecidos desde 21 de outubro, quando iam de carro a uma festa em Ribeirão Pires, no ABC. Os corpos foram levados na madrugada desta segunda (7) para o IML (Instituto Médico Legal) de São Paulo para que sejam submetidos a exames.
Integrantes da cúpula da polícia afirmam que a confirmação só deve acontecer após os exames de DNA já que os corpos estão em estado avançado de decomposição e, assim, não é possível reconhecer pelos traços do rosto. Segundo o ouvidor, não foi possível nem saber se havia tatuagens.
Segundo Neves, um dos jovens estava com os pulsos amarrados com algemas plásticas e todos receberam vários tiros. Um dos corpos encontrados sem cabeça estava com uma fralda geriátrica e havia sinais de cirurgia na coluna. Isso reforça a suspeita de que sejam dos jovens desaparecidos, já que um dos cinco rapazes era cadeirante e utilizava fralda. Parte da família do cadeirante Robson de Paula, 16, está no instituto à espera da identificação.
Por volta das 11h, Adriana Moreira, mãe de um dos jovens desaparecidos, chegou ao IML e estava desesperada. "Ela está chorando porque quer enterrar o filho. Embora não tenha visto o corpo, ela tem certeza de que é o filho", disse Neves. Moreira é mãe de Jonathan Moreira, 18.
A Ouvidoria da Polícia acompanha o caso porque há possibilidade de envolvimento de policiais. Um das últimas mensagem enviadas pelos desaparecidos falava em abordagem policial e havia rumores no bairro de que um deles tivesse envolvimento na morte de um policial militar.
O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Mágino Alves Barbosa Filho, disse que a possibilidade de participação de policiais no crime vai ser apurada. Isso porque foram encontrados estojos de arma calibre.40 ?o mesmo usado pela polícia paulista. As afirmações foram dadas durante evento com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) nesta manhã.
Em entrevista anterior, o secretário havia dito que não havia nenhum indício do envolvimento de policiais civis e militares.
MISTÉRIO
Cinco jovens da zona leste da cidade de São Paulo, com idades entre 16 e 30 anos, um deles cadeirante, entraram animados num Santana 1987 com a intenção de participar de uma festa com garotas conhecidas em rede social em um sítio de Ribeirão Pires (Grande SP). Misteriosamente, desapareceram no caminho.
O perfil das meninas com quem os jovens se encontrariam também desapareceu da internet. Não é mais certo nem que haveria a festa e que as garotas de fato existiam.
Entre as últimas mensagens enviadas pelo grupo, segundo familiares, está uma que menciona suposta abordagem policial. "Ei, acabo de tomar um enquadro ali. Os polícia está me esculachando [sic]", disse Jonathan Moreira, 18, um dos desaparecidos, em áudio enviado a amigos.
O sumiço começou a ser investigado três dias após a suposta festa, quando a polícia foi avisada por familiares sobre a localização do Santana 1987. O carro estava abandonado em uma alça do Rodoanel, perto de Ribeirão Pires, mas sem sinais de violência.
De vestígio do grupo, havia apenas as fraldas utilizadas pelo mais jovem dos rapazes, Robson de Paula, 16. Ele passou a usar cadeira de rodas após ser baleado em ação da PM dois anos atrás.
Dos cinco ocupantes do veículo, ao menos dois tinham passagem pela polícia. Só o motorista não participaria da suposta festa. O cozinheiro Jones Januário, 30, foi contratado pelos adolescentes para levá-los e buscá-los no dia seguinte, já que nenhum deles tinha carro.
