ATUALIZADA - Encontro do Clima começa e tenta pôr acordo em ação
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - No rastro da entrada em vigor do Acordo de Paris, começa nesta segunda (7), em Marrakech, a COP22 (Conferência da ONU sobre Clima). O encontro mundial tem um grande desafio: colocar em ação e acertar os detalhes que buscam impedir o aumento acima dos 2º C da temperatura global, com base nos níveis da era pré-industrial.
Países e empresas já afirmam que será difícil atingir até mesmo os objetivos mais modestos relativos à emissão de gases estufa. Muitas corporações, inclusive, nem conseguem estimar com segurança suas próprias emissões.
Os avanços tecnológicos em áreas correlatas, como carros elétricos, podem significar uma fronteira no combate à intensificação do efeito estufa, mas não são suficientes para frear o processo.
Taxações de carbono, ou seja, fazer com que empresas poluidoras paguem pelo que emitem, também são uma opção. Contudo, esse mecanismo ainda engatinha.
Mesmo os bilhões investidos em projetos ligados ao ambiente significam pouco.
"Não é uma questão de bilhões. Estamos falando de trilhões", relata Ángle Gurría, secretário geral da OECD (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).
O custo para o famoso desenvolvimento sustentável fica entre cinco e sete trilhões de dólares por ano, segundo estimativas da ONU. Esse será o valor necessário para financiar a transição global para uma economia resistente de baixa emissão de carbono.
Mesmo assim, o presidente da COP22, Salaheddine Mezouar, alega que a assinatura do Acordo de Paris será lembrada como o dia em que mundo impediu uma catástrofe climática.
Mezouar afirma também que as nações se comprometeram a tornar acessíveis, inclusive via apoio financeiro, tecnologias limpas para ajudar países em desenvolvimento a construir um futuro sustentável.
De toda forma, o Acordo de Paris nunca foi imaginado como uma bala de prata para salvar o mundo da intensificação do efeito estufa. A ideia do pacto é evitar efeitos mais devastadores de um aumento maior das temperaturas globais.
O problema é que isso ainda pode ser insuficiente.
O consumo mundial de petroquímicos vem dobrando a cada dez anos. O consumo de combustível para aviação, por exemplo, tem disparado conforme milhões de pessoas na China e em outros países em desenvolvimento passam a ter condições financeiras para percursos aéreos.
Cerca de 2,7ºC. Esse é o aumento que ocorrerá na temperatura global caso cada país que ratificou o Acordo de Paris cumpra totalmente as promessas feitas, segundo Fatih Birol, diretor executivo da Agência Internacional de Energia.
"O mundo precisa colocar um preço pesado no carbono, torná-lo caro", diz o secretário geral da OECD.
O mercado relacionado ao carbono enfraqueceu nos meses que se seguiram ao Acordo de Paris.
A resposta, contudo, talvez esteja em outro lado.
Pressões sociais, às vezes dentro das próprias famílias, para agir em relação aos gases efeitos têm se tornado um assunto comum nas rodas de conversa de executivos de empresas.
