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No 'campo de batalha' da Virgínia, vice de Trump aposta em virada

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MARCELO NINIO, ENVIADO ESPECIAL

FAIRFAX, EUA (FOLHAPRESS) - "Há duas semanas Hillary Clinton já estava montando seu gabinete e tirando medidas das cortinas da Casa Branca. Mas aí o povo americano apareceu", diz Mike Pence, vice na chapa do candidato republicano à Presidência, Donald Trump, sob gritos de apoio em um comício na noite de sábado em Fairfax, no Estado da Virgínia.

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Na reta final da campanha presidencial americana mais polarizada da história moderna, a disputa se concentra nos chamados "campos de batalha", Estados sem inclinação histórica para um dos dois partidos, como a Virgínia, que decidirão a eleição de terça (8). Entre as centenas de simpatizantes que apareceram para ouvir Pence, não havia dúvida: Trump será o próximo presidente dos EUA.

A convicção não parece nem um pouco abalada pelas pesquisas que indicam vantagem para Hillary, tanto nacionalmente como em grande parte dos Estados decisivos. "Republicanos não gostam de responder a pesquisas", resume Ronald Wilcox, ativista político ligado ao "tea party", ala ultraconservadora do partido.

O repúdio ao sistema político, incluindo as pesquisas eleitorais, é uma marca da campanha de Trump e foi um dos pontos mais repetidos por Pence em seu discurso em Fairfax, um subúrbio da Virgínia a 30 km da Casa Branca.

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"É incrível que, num momento em que milhões de americanos anseiam por mudanças, o outro partido escolhe uma candidata que personifica o fracasso da política de Washington", disse Pence, num de seus muitos ataques à democrata Hillary Clinton. "Enquanto Donald Trump construía prédios e geravam empregos, Hillary passou as últimas décadas metida em esquemas políticos".

Phillip Bell, 35, um dos poucos negros entre as centenas de pessoas que apareceram para ouvir Pence, rejeita o que chama de "apoio automático" da minoria ao Partido Democrata, afirmando que Trump é o único candidato na disputa que pode colocar os EUA de volta ao caminho da prosperidade econômica.

"Em toda a minha vida, nunca houve um candidato que me inspirasse como ele", diz Bell, destoando da maioria dos afroamericanos que consideram Trump racista e se sentem motivados a votar em Hillary para preservar o legado do primeiro presidente negro da história. "Com Barack Obama a tensão racial no país só piorou."

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O comício de Pence começou e foi encerrado com uma oração, refletindo a religiosidade sempre enfatizada pelo governador do Estado de Indiana (meio-oeste). "Sou cristão, conservador e republicano", nessa ordem, disse o vice de Trump, repetindo um bordão que virou uma de suas marcas políticas. Com as mãos para o alto, Suzan, entusiasta do republicano na casa dos 60 anos que pede para não ter o sobrenome publicado, acompanhou boa parte do evento de olhos fechados.

"Há um ano rezo junto com um grupo de cem amigos todos os dias para que Trump seja eleito. Quero que a América saiba a a verdade sobre a política e sobre Hillary. E Trump é um homem que diz a verdade", afirma Suzan, sem baixar as mãos. A imagem de alguém que fala a verdade nua e crua é um dos trunfos de Trump e um dos mistérios da campanha. Segundo o site de checagem de dados "Politifact", só 15,1% de suas declarações na corrida presidencial são verdadeiras —contra 51,5% de Hillary.

Para os eleitores de Trump, a reabertura da investigação do FBI (polícia federal) sobre o uso de um servidor privado de e-mail por Hillary Clinton quando era secretária de Estado reforçou a imagem de corrupta da democrata, um dos principais motores da campanha negativa promovida pelo candidato republicano.

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"Fica fácil tomar uma decisão quando há uma candidata investigada pelo FBI", diz o estudante de matemática Daniel Vitagliano, 20, vestindo uma camiseta com os dizeres "Hillary para a prisão", por baixo do blazer.

A disputa palmo a palmo nos decisivos "Estados-pêndulo" (sem definição política clara) define o roteiro dos candidatos nos últimos dias de campanha. A aparição de Pence na Virgínia, um desses "campos de batalha", reflete a esperança de uma virada republicana, embora Hillary tenha cinco pontos de vantagem sobre Trump no Estado, segundo a média das pesquisas do site "RealClearPolitics".

A campanha democrata aposta na vitória contando com o fato de o vice na chapa de Hillary, o senador Tim Kaine, ser da Virgínia. Mas há indícios de que os democratas já não estão mais tão confiantes nisso. Um indício é que voltaram a investir nos últimos dias em anúncios de TV no Estado, que também entrou de novo no roteiro de Kaine, depois de praticamente terem suspendido a campanha na Virgínia um mês atrás.

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"O fato de o candidato a vice ter voltado a seu Estado natal diz tudo. A Virgínia está no jogo. A campanha de Hillary sabe disso e está preocupada", observou Mark Rozell, um respeitado analista político do Estado.

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