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Chegada a prova do Enem tem brincadeira e choro em São Paulo

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PHILLIPPE WATANABE

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - "Chegue na hora para não virar meme", dizia o relógio em frente à unidade Barra Funda da Uninove, um dos locais que receberam a prova do Enem neste sábado (5), na zona oeste de São Paulo.

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Como em anos anteriores, o primeiro dia do Enem foi marcado, em parte, pela corrida de última hora dos atrasados. E, desta vez, também pela apreensão de alunos em alguns Estados devido ao adiamento do exame para 270 mil dos 8,6 milhões de inscritos, em razão de ocupações em escolas do país.

Os portões se fecharam às 13h, após ficarem oficialmente uma hora abertos. Na Barra Funda a abertura ocorreu às 11h50.

"Cheguei mais cedo porque não quero ser um meme", brinca a estudante Larissa Franco,18, que presta Enem pela primeira vez. A intenção dela é conhecer o exame melhor e, quem sabe, já conseguir uma bolsa para uma universidade particular.

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Universidades públicas não passam pela cabeça da garota. "Estudo em colégio público. É difícil conseguir."

Agnes Sakano, 31, está prestando a prova pela terceira vez. Ela tenta uma vaga em medicina em alguma universidade pública. "Estava tranquilo para chegar. Só o metrô cheio de sempre", diz a estudante.

Enquanto isso, um grupo com cadeiras de praia, bebida e máscaras cantava em frente ao local de prova: "Eu vou até lá, eu vou, eu vou atrasar, eu vou."

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Mauricio Cid, autor do evento responsável pela cantoria e dono de um blog, falou que todo ano acompanha a saga das pessoas que não chegam na hora. "É o pico de audiência que temos."

Ele não considera de mau gosto a brincadeira. "Você quer chegar cedo, você chega. Quem quiser chega. No meu Enem precisava de quatro horas para chegar e cheguei."

Orion Soares, 26, já se atrasou uma vez, perdeu a prova e neste sábado estava em frente ao local para assistir os atrasados. "É o retorno", diz rindo. "O sentimento é de frustração. Você pega ônibus, trânsito, metrô e não consegue chegar."

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A cada portão que era fechado pessoas aglomeradas em frente ao local, chegando a atrapalhar a passagem, gritavam: "O portão fechou."

Uma das garotas que perdeu a prova chorando reclamou do trânsito. Ela errou o local e, mesmo correndo, não chegou a tempo.

Outra estudante, de 29 anos, era consolada em frente ao local de prova devido ao atraso. Ela não quis ter seu nome divulgado sob a justificativa de que o pai de sua filha está preso, mas afirmou que queria estudar farmácia e contava com a prova para isso.

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"Minha filha mama. Eu tive que deixar ela com outra pessoa e isso atrasou tudo. Não tinha como trazer ela comigo."

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