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Brasil registrou cinco estupros por hora em 2015, aponta anuário

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RAPHAEL HERNANDES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Brasil registrou uma média de cinco estupros por hora em 2015. Foram 45.460 casos durante o ano. Devido à subnotificação desse tipo de crime, esse número, na realidade, deve ser ainda maior.

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Os dados são da 10ª edição do anuário produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, e consideram os boletins de ocorrência registrados em delegacias de todos os Estados.

Apesar de alto, o número oficialmente registrado caiu: foram 4.978 (10%) casos a menos do que em 2014.

Para a diretora-executiva do fórum, Samira Bueno, a redução "não é motivo para comemorar". Isso porque os crimes de violência sexual são os menos reportados à polícia.

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Um estudo feito em 2013 pelo Ipea (Instituto Brasileiro de Pesquisa Econômica Aplicada) indicou que só 10% dos casos chegavam às autoridades. Com isso, o fórum estima que devam ter ocorrido entre 130 mil e 450 mil estupros no Brasil em 2015.

"As vítimas têm vergonha, medo do agressor, porque muitas vezes o conhecem, e revivem a vitimização nas delegacias porque o atendimento tende a ser precário", afirma Samira.

A diretora lembra o caso de estupro coletivo ocorrido no Rio de Janeiro, em maio. Mesmo após o vazamento de um vídeo que mostrava o crime, o delegado então responsável colocou em dúvida a versão da vítima.

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"O preconceito que ronda esses casos e a dificuldade de as pessoas entenderem que foi uma violência dificultam a notificação", diz a diretora.

O maior número absoluto de estupros foi registrado em São Paulo: 9.265 casos, cerca de 20% do total no Brasil. O Estado porém, tem incidência desse crime por 100 mil habitantes abaixo da média nacional (índice de 20,9, contra 22,2 do país).

O Acre teve a maior taxa de estupros proporcionalmente à população: taxa de 65,2 casos por 100 mil habitantes.

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O ano de 2015 foi marcado por um caso de estupro coletivo com repercussão internacional, em Castelo do Piauí (a 190 km de Teresina). Na ocasião, quatro garotas foram amarradas e estupradas por quatro adolescentes e um adulto quando foram tirar fotos para tarefas escolares.

O Piauí, segundo dados do anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, registrou 16,8 casos de estupro por 100 mil habitantes no ano passado, abaixo da média nacional.

ROUBOS

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Dados do anuário mostram que, em média, um carro foi roubado por minuto no Brasil em 2015, 509.978 registros no total. Esse número pouco variou em relação a 2014, caiu só 0,6%.

Por outro lado, os casos de roubo de cargas e assaltos a bancos cresceram aproximadamente 10% no país.

"Acho que temos aí uma mudança no padrão da criminalidade organizada", afirma Renato Sérgio de Lima, diretor executivo do fórum, que vê uma possível ligação no aumento desses crimes à guerra de facções nos presídios, em 2016. "Talvez tenha sido uma forma de financiar as atividades e crescimento das facções".

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FINANÇAS

O Brasil gastou mais de R$ 75 bilhões em segurança pública em 2015, 11% a mais que no ano anterior. E os municípios vêm assumindo um papel de cada vez maior importância nesse financiamento.

De acordo com Lima, isso acontece porque a União tem alocado mais recursos para as polícias Federal e Rodoviária Federal, que ficaram com mais de 80% do orçamento do Ministério da Justiça. Os repasses ao Fundo Nacional de Segurança Pública e Funpen (penitenciário) foram reduzidos.

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Com isso, o papel dos Estados no financiamento da segurança deveria crescer, mas eles estão "no limite", segundo o diretor executivo do fórum.

Como consequência, os gastos dos municípios cresceram 400% desde 1998, em valores corrigidos. Para Lima, eles, de certa forma, acabam substituindo o Estado no custeio de polícias, seja comprando a folga dos oficiais, seja com guarda municipal.

MORTES

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O anuário também aponta que, em média, nove pessoas são mortas por policiais a cada dia no país. Em uma semana, a polícia brasileira mata mais do que a britânica em 25 anos.

Entre 2014 e 2015, apesar de ter havido queda de 1,2% (de 59.086 para 58.383) no total de mortes violentas no país, as vítimas da violência policial cresceram 6,3%, para 3.345.

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