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Filme venezuelano é premiado por júri da Mostra; público elege Eliane Caffé

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GUILHERME GENESTRETI

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O venezuelano "El Amparo", de Rober Calzadilla, foi o grande vencedor da 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que terminou na quarta-feira (2) após duas semanas de programação intensa -foram exibidos 322 filmes.

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O filme, estreia de Calzadilla na direção de um longa, narra o embate entre o Exército venezuelano um grupo de colombianos acusados de serem guerrilheiros. Tudo se passa na região da fronteira entre os dois países.

Ele recebeu por unanimidade o troféu de melhor filme pelo júri internacional na competição do evento, que premia apenas novos diretores, com até dois longas no currículo. A cerimônia ocorreu na noite desta quarta (2), no Auditório Ibirapuera.

Calzadilla enviou um vídeo de agradecimento: "Muito obrigado", disse, em português.

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Duas atrizes receberam menção honrosa: Mirjana Karanovic, por "A Boa Esposa", e Lene Cecilia Sparrok, por "Sámi Blood". O primeiro, uma coprodução Sérvia-Bósnia-Croácia, é um drama sobre uma mulher forçada a lidar com um câncer e com o passado misterioso do marido.

O segundo, da Suécia, narra a história de uma garota que é forçada a esconder os rastros de sua minoria étnica para ser aceita.

O iraniano "Maat", de Saba Kazemi, levou o prêmio Abbas Kiarostami. A trama gira em torno de um grupo de famílias que precisam se decidir se vai permanecer em posse do dinheiro encontrado num imóvel ou se vão avisar a polícia.

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O prêmio Kiarostami é uma novidade: foi instituído neste ano em lembrança do diretor iraniano morto neste ano e que era presença frequente na Mostra. É dedicado a obras que expandem os limites da narrativa clássica.

Fazem parte do júri internacional a diretora americana Bette Gordon, o diretor paulista Jeferson De, a produtora argentina Lita Stantic, o diretor francês Nicolas Klotz, o diretor e produtor belga Peter Brosens, e o diretor de som português Vasco Pimentel.

O público da Mostra, que recebe cédulas de votação em todas as sessões, também elegeu os seus favoritos.

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Entre os internacionais, ficaram com "The Handmaiden", de Park Chan-wook (ficção), "Gurumbé", de Miguel Rosales, e "Gaga - O Amor pela Dança", de Tomer Heymann (documentários). O primeiro é um drama épico sul-coreano sobre o envolvimento entre uma aia e sua patroa.

Chan-wook sequer mandou um vídeo de agradecimento.

Já "Gurumbé" trata da história do flamenco, e "Gaga" aborda um coreógrafo israelense.

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Entre os nacionais, os espectadores preferiram "Era o Hotel Cambridge", drama sobre uma ocupação urbana dirigido por Eliane Caffé (ficção) e "Martírio", documentário de Vincent Carelli sobre o morticínio de índios.

"Vai me ajudar a correr o Brasil para denunciar o genocídio que ocorre todo dia no Mato Grosso do Sul", disse Carelli.

Aplaudidíssima no palco, Eliane disse que desejava duas coisas para o ano que vem: que a Mostra continue no futuro, e que segmentos da sociedade continuassem lutando contra o "retrocesso econômico" por que passa o país.

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Já a crítica premiou dois longas: "Depois da Tempestade", drama familiar do japonês Hirokazu Kore-eda, e o nacional "Pitanga", de Beto Brant e Camila Pitanga. A Abraccine, associação que reúne críticos do país, elegeu o longa brasileiro "A Mulher do Pai", de Cristiane Oliveira.

Em um vídeo, Kore-eda agradeceu o prêmio e lembrou que seu "Pais e Filhos" já havia levado o troféu do público na Mostra.

Apresentador da cerimônia, Sergio Groismann tomou o microfone para improvisar uma homenagem à 40ª Mostra. Lembrou o histórico de lutas do festival em meio aos anos de chumbo e puxou aplausos à diretora do festival paulistano, Renata de Almeida.

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A Mostra terminou nesta quarta (2) com a exibição ao ar livre do filme mudo "A General", com Buster Keaton, com acompanhamento musical ao vivo da Orquestra de Heliópolis.

De quinta (3) até quarta (9) há a tradicional repescagem de filmes no CineSesc, com 29 sessões com alguns dos destaques do evento.

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