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Nova série de João Jardim revela a trajetória de 14 transexuais

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MARIA CLARA MOREIRA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Binarismo, passabilidade, redesignação sexual. Os termos cabeludos podem afugentar os menos familiarizados com as discussões de gênero, cada vez mais em pauta com as transições de figuras públicas como a socialite americana Catelyn Jenner e com a insurreição de nomes como Liniker e Jaloo contra os estereótipos de feminino e masculino.

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"Liberdade de Gênero", nova série do diretor João Jardim ("Lixo Extraordinário") para o canal GNT, tenta mostrar que a transexualidade e a fluidez não são nenhum bicho de sete cabeças.

"O preconceito [contra a população transexual] é uma construção do nosso inconsciente, que vê essas pessoas como exóticas, ligadas à prostituição, à questão do travesti", diz o diretor à reportagem, por telefone. "Mas pessoas trans também são pessoas, e mais próximas de nós do que a gente imagina. Apenas se identificam com o gênero oposto ao que foram designadas biologicamente."

Em dez episódios curtos, Jardim, que em trabalhos anteriores investigou temas espinhosos como a dependência ("Compulsão"), o poliamor ("Amores Livres") e os novos arranjos familiares ("Família É Família"), entra na intimidade de 14 transexuais e suas famílias.

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No primeiro deles, ele acompanha a youtuber Amanda em um passeio por Gravataí, cidadezinha no interior do Rio Grande do Sul onde ela nasceu e foi criada como homem. Pária escolar, Amanda encontrou conforto na internet, onde descobriu a transexualidade. Contando com o apoio da família, assumiu sua identidade feminina e fez a cirurgia de redesignação sexual na Tailândia.

Em outro capítulo, a psicanalista mineira Letícia Lanz conta como, aos 50 anos, deixou o nome Geraldo para trás e assumiu-se mulher para a parceira de quatro décadas e os três filhos do casal. "Eu não nasci no corpo errado, nasci na sociedade errada", ela diz ao diretor.

Com seu retrato sensível dos laços familiares das personagens, "Liberdade de Gênero" discorre sobre a importância que a difícil aceitação familiar (Amanda a estima em apenas 1% dos casos) exerce no combate à marginalização.

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"Quando bem aceita pela família, a pessoa tem um referencial para lidar com o resto da sociedade. Então, apesar de sofrer humilhações do lado de fora, ao chegar em casa ela tem quem a aceite e, aos poucos, consegue se inserir dentro da sociedade e exercer uma função social", argumenta Jardim. "Essas pessoas tiveram muita força para afirmar o que são. Por consequências muito menores, a gente, que não tem essa questão de gênero, já recua de quem somos, enquanto elas vão em frente, aceitando as dores e os prazeres disso."

No Brasil, essas dores são grandes. Pesquisa realizada pela Transgender Europe, rede de organizações europeias em apoio à população transgênero, apontou o país como o que mais mata travestis e transexuais no mundo em números absolutos -foram 802 mortes entre janeiro de 2008 e dezembro de 2015.

"O medo [do transexual] vem do desconhecimento. Falta informação. Normalmente aqueles que não aceitam [transexuais] são pessoas que têm medo que os filhos e as filhas possam seguir esse caminho por modismo, como se alguém estivesse pregando que agora tudo pode", afirma o diretor.

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A depender de setores mais conservadores da população e do Congresso, essa escassez de informação deve persistir.

Em 2011, o material "Escola Sem Homofobia", elaborado por associações de apoio à comunidade LGBT e financiado pelo Ministério da Educação para suscitar o debate sobre homossexualidade, transexualidade e estereótipos de gênero nas instituições de ensino, teve sua distribuição suspensa pelo governo após forte pressão política e social.

Já em julho deste ano, o líder evangélico Robson Rodovalho reuniu-se com o presidente Michel Temer para pedir o combate à chamada "ideologia de gênero".

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"Levar a questão transexual para as escolas seria uma coisa positiva, mas deve se pensar como isso será feito, se será abordado de uma forma séria, que não gere mais desconhecimento", opina Jardim. "Antes de levantar a questão [nas salas de aula], é preciso que as pessoas responsáveis por isso sejam bem preparadas, não só fazer uma cartilha. O assunto tem que ser conversado, mas com responsabilidade."

NA TV

Liberdade de Gênero

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QUANDO às quartas, 21h30, no GNT

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