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Após vácuo de poder, Rajoy é reeleito na Espanha, mas não terá maioria

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DIOGO BERCITO

MADRI, ESPANHA (FOLHAPRESS) - O primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy foi reeleito neste sábado (29) em votação do Congresso, encerrando uma paralisia política de mais de dez meses.

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Seu mandato pode se iniciar já no domingo (30) com um juramento ao rei Felipe.

A candidatura de Rajoy, do conservador PP (Partido Popular), teve 170 votos a favor, 111 contra e 68 abstenções. Sem ter a maioria dentro do Congresso, formado por 350 deputados, o premiê terá um complicado mandato a cumprir.

Esse será o governo com o menor apoio parlamentar desde 1978, dificultando as decisões que precisa tomar, depois de meses de funções limitadas. Por exemplo, aprovar o orçamento de 2017 ou os cortes de gastos exigidos pela União Europeia.

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Houve eleições na Espanha em dezembro de 2015 e em junho, mas nenhum partido conseguiu somar o número necessário de deputados para governar. Essa crise foi causada pelo surgimento de novas forças políticas, que pulverizaram os votos.

O impasse foi resolvido apenas porque o PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol) decidiu, em um gesto controverso, abster-se do voto no Congresso, abrindo assim o caminho para o PP.

O PSOE precisou remover seu secretário-geral, Pedro Sánchez, para conseguir aprovar a abstenção de seus deputados no sábado. Sánchez, que insistia em bloquear o governo de Rajoy, renunciou durante o dia ao seu cargo no Congresso.

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PACTOS

Apesar da formação de um novo governo, "a incerteza política vai continuar", segundo Marta Romero, analista do think tank Fundação Alternativas "Será muito difícil que o governo chegue ao fim", afirma à reportagem. O mandato ali dura quatro anos.

Os mais de dez meses de impasse demonstraram, afinal, que os partidos espanhóis não têm sido capazes de entrar em acordo. Mesmo o Cidadãos (centro-direita), que votou a favor de Rajoy no Congresso, não necessariamente precisa apoiá-lo.

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Um porta-voz do PSOE afirmou, durante o debate de sábado, que irá vigiar cada passo do PP, e lembrou o rival de que ele não tem hoje a maioria dos deputados.

"Mas Rajoy pode usar a ameaça de eleições antecipadas a seu favor", afirma Romero. "Um novo pleito não iria favorecer a ninguém."

O PP cresceu entre a primeira e a segunda tentativa de eleições, e analistas preveem que também ganharia mais espaço se houvesse uma terceira rodada, em dezembro. O PSOE, por sua vez, registrou os dois piores resultados de sua história.

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Rajoy tem também outros dois trunfos: a maioria absoluta no Senado, e a possibilidade de seduzir os movimentos nacionalistas para que apoiem suas medidas.

OPOSIÇÃO

A disputa não será apenas para governar. O PSOE e o Podemos (partido de esquerda) vão disputar a liderança da oposição no Congresso.

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Os socialistas têm a vantagem numérica, com mais assentos (85 contra 71). Mas será difícil ao PSOE convencer o público de que é um partido de oposição, após ter permitido o governo do PP.

"O PSOE será enxergado como responsável pelas políticas do PP", diz Pablo Simon, do conglomerado de analistas Politikon. "O Podemos tomou esta bandeira."

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