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Buscando o 'prazer da dança', francês coloca bailarinos amadores em cena

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MARIA LUÍSA BARSANELLI

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - É por meio das diferenças que Jérôme Bel busca a igualdade. Em "Gala", espetáculo que apresenta a partir deste sábado (29) no Brasil, dentro do festival FranceDanse, o coreógrafo francês coloca em cena, juntos, bailarinos amadores e profissionais.

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"Busco, na grande disparidade entre essas pessoas, uma igualdade", diz Bel à reportagem, por e-mail. "Uma igualdade produzida graças à singularidade de cada uma delas."

Um dos principais nomes da dança contemporânea em seu país, Bel se interessa por questões íntimas dos bailarinos. Bebe na fonte de nomes como a alemã Pina Bausch (1940-2009) e o americano Merce Cunningham (1919-2009). Em "Disabled Theater" (2012), por exemplo, dirigiu artistas com deficiência intelectual do grupo suíço Theater Hora.

Também critica a padronização que vê hoje na dança contemporânea. "Em 99% dos espetáculos os bailarinos têm entre 20 e 35 anos anos, são esbeltos, em plena forma e bonitos, senão bonitos demais."

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FRÁGIL

"Gala", que estreou em Bruxelas no ano passado, começou por acaso. Bel aceitou o convite da colega Jeanne Balibar para lecionar nos ateliês de voz e dança da atriz e cantora na periferia de Paris. Interessou-se pelo aspecto "frágil" de diletantes. "Eles nunca conseguem fazer o que um profissional faz. Digamos que o projeto é este: tentar, explorar mais do que dominar, nunca desistir. Como diria Samuel Beckett: 'Try again, fail again, fail better' [tente de novo, erre de novo, erre melhor]."

Mergulhando nessa diversidade de pessoas, oriundas de classes sociais diferentes, Bel se viu diante de um "problema sócio-político". "Achei que seria interessante resolvê-lo artisticamente, coreograficamente." Mas ele rejeita rótulos como o de "projeto social". "Faço arte e sei que ela é social e política, mas não queria chegar a essa categoria porque, artisticamente, ela não é levada tão a sério."

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O coreógrafo busca, assim, o princípio do que move a arte, o desejo de dançar. "A prática amadora se baseia na ideia do prazer", conta Bel. O que se vê em cena é uma espécie de celebração, como em espetáculos típicos de fim de ano, a que o título de "Gala" remete.

Os amadores tentam um "moon walk" ao estilo Michael Jackson, soltam-se ao som de hits como "Happy", de Pharrell Williams, ensaiam um passo de Broadway com "New York, New York".

Ali, o francês testa também o olhar do espectador e seus julgamentos diante da dança amadora. "O que me interessa é o que a dança significa, como ela se exprime no indivíduo (amador ou profissional) e o que ela permite revelar nas pessoas que a linguagem não consegue."

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GALA

QUANDO sáb. (29), às 21h, e dom. (30), às 18h

ONDE Sesc Bom Retiro, al. Nothmann, 185, tel. (11) 3332-3600

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QUANTO R$ 15 a R$ 50

CLASSIFICAÇÃO livre

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