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Estudantes do Paraná decidem continuar com ocupações nas escolas

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ESTELITA HASS CARAZZAI

CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - Em assembleia realizada nesta quarta-feira (26), estudantes do Paraná decidiram continuar com as ocupações nas escolas estaduais.

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O movimento, que já dura cerca de três semanas, foi organizado pelos estudantes em protesto contra a reforma do ensino médio pelo governo federal. Parte dos alunos, porém, não concorda com as manifestações e pede o retorno às aulas.

Cerca de 600 alunos, representantes de escolas ocupadas em todo o Estado, participaram da assembleia. Eles saíram do local por volta das 17h, aos gritos de "ocupar e resistir".

Foi aprovada a criação de uma comissão de estudantes que pretende abrir o diálogo e negociar reivindicações com o governo estadual de Beto Richa (PSDB).

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Os alunos pedem a realização de uma conferência estadual pela reorganização do ensino médio, em parceria com o governo e professores, ainda neste ano.

Além disso, querem que Richa edite um decreto ou uma lei que garanta que a reforma, da forma como está hoje, não será aplicada no Paraná.

Os manifestantes também pedem a anistia aos alunos e professores que participaram das ocupações, para que não sejam punidos pelas direções dos colégios.

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"Foi uma grande assembleia, democrática e plural", disse Matheus dos Santos, presidente da Upes (União Paranaense dos Estudantes Secundaristas). A imprensa não pôde acompanhar o encontro, que foi fechado.

Ao final da assembleia, um grupo de estudantes gritava contra "os golpistas da mídia" e propunha não dar entrevistas. Eles gravaram um vídeo, em jogral, em que se manifestavam a favor das ocupações.

Outra parte dos manifestantes, porém, aceitou falar com os jornalistas, mas sem dar nomes.

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TENSÃO

Nesta segunda (24), um aluno de 16 anos morreu assassinado numa escola ocupada, o que acirrou as tensões entre grupos pró e contra o movimento.

Nesta quarta (26), alguns integrantes de movimentos como o MBL (Movimento Brasil Livre) chegaram a ir ao colégio em que ocorria a assembleia para protestar contra as ocupações, mas não houve registro de confronto.

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O governador do Paraná, Beto Richa, tem afirmado que as ocupações "ultrapassaram os limites do bom senso e não encontram amparo na razão". Ele diz que o diálogo está aberto: há algumas semanas, convidou representantes do movimento Ocupa Paraná a levarem suas propostas sobre a reforma e se propôs a não alterar a grade curricular no Estado.

Já grupos favoráveis às ocupações dizem que o governo tem "insuflado" as manifestações contrárias ao movimento, que "usam inclusive de violência", e feito ameaças contra professores e diretores a favor das ocupações. Para eles, o Estado está colocando em risco a segurança dos adolescentes.

NÚMEROS

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Segundo o governo, o número de ocupações diminuiu nos últimos dias. Havia 672 escolas ocupadas nesta quarta (26), de acordo com balanço divulgado pela secretaria da Educação. São 159 a menos que na sexta-feira (21), quando eram 831 ocupações.

O Ocupa Paraná nega arrefecimento e diz que o número se mantém em 850. Para o movimento, há uma tentativa de criminalizar as ocupações, especialmente a partir da morte do estudante Lucas Mota, na segunda. "A resolução deste conflito não está na violência e na truculência, e sim no diálogo", disse o grupo, em nota.

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