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Médica acusada de matar pacientes em UTI pode ir a júri popular em Curitiba

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DIEGO ANTONELLI

CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - O Ministério Público Estadual do Paraná pediu que vá a júri popular a ex-chefe da unidade de terapia intensiva do Hospital Evangélico de Curitiba, Virgínia Helena Soares de Souza, e mais cinco dos oito acusados de provocar a morte de sete pacientes, entre 2011 e 2013. Eles são acusados de homicídio doloso duplamente qualificado e formação de quadrilha.

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Além de Virgínia, foram denunciados os médicos Edison Anselmo da Silva Júnior, Maria Israela Cortez Boccato e Anderson de Freitas e as enfermeiras Laís da Rosa Groff e Patrícia Cristina de Goveia Ribeiro. Os episódios suspeitos vieram à tona em 2013, após investigação da Polícia Civil.

A médica Virgínia de Souza, em entrevistas anteriores à imprensa sempre negou as acusações. "Nunca abreviei a vida de ninguém". Ela chegou a ser presa no dia 19 de fevereiro de 2013, ficou quase um mês detida e foi solta um mês depois. Ela pode trabalhar, mas cumpre uma medida cautelar que a impede de atuar em UTIs.

A acusação é pelos crimes de homicídio doloso duplamente qualificado e formação de quadrilha. Eles vão a júri popular caso o pedido seja aceito pela 2ª Vara do Júri da capital paranaense.

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"Temos total convicção jurídica de que esses crimes aconteceram", afirma a promotora Fernanda Nagl Garcez, uma das responsáveis pelo caso. Para chegar a essa conclusão, a Promotoria se baseou em relatos de aproximadamente 50 testemunhas, nos prontuários médicos, em análise de peritos e em interceptações telefônicas. Além do perito oficial do IML (Instituto Médico Legal), o Ministério Público contratou um perito externo.

Para a promotora, a equipe da médica antecipava as mortes dos pacientes para abrir vagas na UTI do hospital. "A UTI era um exercício de poder dela, de ter a capacidade de controlar a vida e a morte dessas pessoas", afirma.

Na época das investigações policiais, mais de 30 horas de gravações telefônicas autorizadas pela Justiça mostraram conversas da ex-chefe da UTI afirmando que "não adianta entulhar a UTI" e ressaltando que tinha que "girar" a UTI, em suposta referência para liberar vagas na unidade.

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"Nenhum desses pacientes morreu pela evolução da doença. Os óbitos foram provocados pelo uso de medicamentos e até redução do oxigênio", afirma Garcez.

Ainda segundo a Promotoria, Virgínia, que responde pelos sete homicídios, era a líder do esquema. "Ela tinha o comando integral da UTI e de toda a equipe", afirma o promotor Paulo Sérgio Markowicz de Lima, que também é responsável pelo caso.

Lima relata ainda o caso de uma paciente, identificada pelo nome "Clarita", que teria sido uma das vítimas em 2011. Segundo ele, "Clarita" passou por um procedimento cirúrgico para realizar uma biopsia do pulmão para confirmar se estava com câncer. "Ela teve complicações no procedimento e foi para a UTI. No entanto, ela apresentou evolução e estava em fase de desmame da respiração mecânica e não estava sedada", afirma o promotor, baseado nas perícias médicas.

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A paciente estava, inclusive, acordada e sentada numa poltrona. "Ela poderia ir para outro leito hospitalar, mas a doutora Virgínia mandou a Clarita deitar, prescreveu um kit de medicação e minutos depois ela entrou em óbito", afirma.

'KIT MORTE'

O kit de medicação empregado pela equipe da médica Virgínia foi denominado pela Promotoria como "kit morte". Esse rol de medicamentos era composto por um sedativo, um analgésico e um bloqueador neuromuscular.

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"Usavam esses medicamentos juntos sem levar em conta a dosagem e nem o peso dos pacientes", afirma Lima. "Não havia nada que indicasse o uso desses medicamentos nesses pacientes".

Na maioria dos casos, os remédios eram aplicados pelos enfermeiros. "Eles colocavam um biombo para impedir que outros vissem o que estavam fazendo", afirma a promotora Fernanda Garcez. Segundo ela, em algumas situações a quantidade de oxigênio ofertada ao paciente também era reduzida.

Outros 300 prontuários médicos, datados desde 2006 -ano em que Virgínia assumiu a chefia da UTI do hospital-, estão sendo investigados pela polícia. Em todos, diz a Promotoria, há o uso dos mesmos medicamentos que teriam provocado a morte desses sete pacientes.

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Uma fisioterapeuta e um enfermeiro que eram acusados de formação de quadrilha foram descartados do pedido de irem a júri popular, segundo os promotores, por não haver indícios suficientes do envolvimento deles nos supostos crimes.

Todos os médicos envolvidos no caso tem uma medida cautelar que os impede de atuar em medicina intensiva.

OUTRO LADO

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O advogado da ex-chefe da UTI, Elias Mattar Assad, afirma que não há provas concretas da ocorrência de qualquer crime. "Não está provado. O que não aconteceu não pode ficar provado. A acusação não tem consistência técnica".

Segundo ele, a expectativa é de que os réus sejam inocentados. A defesa tem prazo de 20 dias para se manifestar. Após essa etapa, o juiz irá definir se o caso irá para júri popular.

Os advogados de Anderson de Freitas, Edison da Silva Júnior, Patricia Cristina de Goveia Ribeiro e Maria Israela Boccato afirmaram que vão se manifestar apenas nas alegações finais do processo. O advogado de Laís da Rosa Groff não foi localizado.

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