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Para PGR, "escola sem partido" é inconstitucional e subestima alunos

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GABRIEL MASCARENHAS

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Em parecer enviado ao STF (Supremo Tribunal Federal) nesta quarta (19), a PGR (Procuradoria-Geral da República) criticou duramente a tentativa de implantação da chamada "escola sem partido", que, segundo seus idealizadores, tem por objetivo impedir professores de influenciarem alunos política e religiosamente.

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De acordo com a PGR, a iniciativa é inconstitucional e subestima a capacidade de discernimento dos estudantes em sala de aula.

"Há equívocos conceituais graves, como o de considerar que o alunado seria composto de indivíduos prontos a absorver de forma total, passiva e acrítica quaisquer concepções ideológicas, religiosas, éticas[...]. Despreza a capacidade reflexiva dos alunos, como se eles fossem apenas sujeitos passivos do processo de aprendizagem, e a interação de pais e responsáveis, como se não influenciassem a formação de consciência dos estudantes", sustenta a PGR.

A manifestação assinada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foi protocolada a uma ação movida pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação contra a Assembléia Legislativa de Alagoas.

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O deputados estaduais alagoanos aprovaram uma lei que proíbe o professor de colégios públicos e particulares de praticar "doutrinação política e ideológica, bem como quaisquer outras condutas por parte do corpo docente ou da administração escolar que imponham ou induzam aos alunos opiniões político-partidárias, religiosa ou filosófica".

Para Janot, no entanto, a proposta do Legislativo local é vaga, afeta a liberdade de expressão do educar e compromete o processo de ensino.

"A Constituição estabelece diversas liberdades que fazem parte do conteúdo do direito à educação: aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber. Essas liberdades de aprendizado, ensino e pesquisa formam o núcleo essencial do direito à educação. Sem liberdade de ensinar e de aprender não há o próprio direito à educação", argumenta.

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A peça afirma que possíveis excessos de professores não justificam a medida. O PGR diz que já há instituições e normas voltadas à fiscalização e eventual punição de docentes. Acrescenta que não cabe à escola reproduzir as convicções dos pais dos alunos.

"Não se ignora que professores[...] estão sujeitos a praticar erros e abusos na profissão. Mas a veiculação de ideias contrárias à convicção de alunos, pais e responsáveis não gera[...] consequência indesejável[...]. Entre a vedação apriorística de conteúdos e a liberdade de ensino, esta é preferível", sustenta o PGR.

Além das críticas ao mérito da proposta, o parecer afirma que a Assembleia estadual não tem competência para legislar sobre o assunto, de responsabilidade exclusiva da União, de acordo com Janot.

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"Veiculação de princípios que regem as atividades de ensino é, em essência, tema que demanda tratamento uniforme no território nacional, porquanto traduz interesse geral. Dessa forma, incumbe à União definir normas sobre a matéria[...]. Não caberia ao Legislativo de Alagoas inovar no ordenamento jurídico e prever princípios gerais para a educação, mormente quando distintos daqueles da lei nacional", diz.

O projeto de lei em questão é de autoria do deputado Ricardo Nezinho (PMDB). O governador de Alagoas, Renan Filho (PMDB), vetou a proposta aprovada pelo Legislativo, mas a Assembléia derrubou o veto.

Na Câmara dos Deputados, em pelo menos nove Assembleias e 17 Câmaras municipais tramitam projetos que visam proibir a "doutrinação ideológica" em temas políticos, religiosos e sexuais em salas de aula.

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CONCEITO

Além dos mesmos objetivos, os textos da maioria dos projetos normalmente assinados por políticos de alas conservadoras e têm uma origem comum: o anteprojeto criado pela organização "Escola sem Partido", formada por "estudantes e pais preocupados" com a "contaminação político-ideológica das escolas".

A entidade defende que a educação moral, sexual e política é de competência da família. E argumenta que o professor não é um educador, devendo se limitar a repassar os conteúdos das disciplinas de forma isenta.

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Fundador da organização, o advogado Miguel Nagib diz que anteprojeto defende uma abordagem equilibrada das diferentes correntes políticas e sociais: "Seria impossível ensinar história sem falar de política. O que defendemos é que ele não esconda nenhum ponto de vista".

O site da entidade traz uma lista de aspectos que alunos devem ficar atentos para "flagrar" o doutrinador. Um deles diz que "você pode estar sendo vítima de doutrinação ideológica quando o professor se desvia frequentemente da matéria [...] para assuntos relacionados ao noticiário político ou internacional".

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