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Morre o escritor e acadêmico Antonio Carlos Viana, aos 72 anos

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Morreu na noite de sexta (14), em Aracaju (SE), o escritor, tradutor e acadêmico Antonio Carlos Viana, autor premiado duas vezes pela APCA (Academia Brasileira de Críticos de Arte). A morte foi confirmada por sua editora, Marta Garcia, e por seu filho, o também escritor André Viana, no Facebook.

Viana sofria há anos de um mieloma -um câncer nas células brancas do sangue presentes na medula óssea. O escritor sergipano passou por um tratamento no começo de 2015 e se recuperou. Há um mês, porém, a doença retornou.

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Mestre em teoria literária pela PUC do Rio Grande do Sul e doutor em literatura comparada pela Universidade de Nice, na França, era considerado um dos maiores da atualidade.

Sua obra mais recente, "Jeito de Matar Lagartas", lançado pela Companhia das Letras em 2015, ganhou o prêmio APCA na categoria contos daquele ano. A coletânea traz textos que, em conjunto, formam a imagem de um desencontro perene que perpassa desde a perda da inocência na infância até o distanciamento entre sexo e corpo na velhice.

Garcia lembra que, no começo de 2015 -quando Viana estava mal, antes do tratamento com quimioterapia-, o livro "pulou a fila de publicações da Companhia das Letras" para que a obra pudesse sair enquanto Viana estava vivo.

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"E depois do tratamento, ele se transformou em outra pessoa", comenta. "De homem tímido -que poderia ser confundido com ríspido para quem não o conhecesse-, se tornou alguém expansivo, passou a rir mais, a usar mais o Facebook -o que foi um choque para quem o conhecia!"

Foi o segundo prêmio da crítica de Viana. Em 2009, seu "Cine Privê", publicado em 2009 pela mesma editora, também foi agraciado com o APCA em contos. Os contos ali trazem personagens condenados à invisibilidade e, de certa forma, ao abuso -como um homem cujo trabalho é limpar as cabines individuais de um cinema pornô ou uma adolescente pobre que troca favores sexuais por tratamento de dentes.

A cerimônia de despedida será no início da tarde de sábado, na Biblioteca Epifanio Doria, em Aracaju. André Viana, contudo, diz no Facebook que são se trata de um velório "porque acredito que a gente precise sair um pouco desse quartinho triste e escuro do fim da vida e bailar no salão iluminado dos grandes homens e mulheres, por que não?"

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Viana deixa um filho.

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