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Na Índia, Serra diz que comércio com o país pode ser 'triplicado'

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ISABEL FLECK, ENVIADA ESPECIAL

GOA, ÍNDIA (FOLHAPRESS) - Na chegada da comitiva do governo brasileiro à Índia, na madrugada deste sábado (15), o chanceler brasileiro José Serra disse que o comércio com o país asiático, hoje de US$ 7,9 bilhões, pode ser "triplicado" nos próximos anos.

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Serra disse que a balança comercial com a Índia atualmente é "mais ou menos equilibrada" -apesar dos US$ 672 milhões de deficit para o lado brasileiro, ou 8,5% do valor total comercializado-, mas que pode ser "muito maior".

"Há um potencial imenso. Se não me engano, [a balança] deve estar entre US$ 7 bilhões e 8,5 bilhões. Isso pode ser duplicado, triplicado ao longo dos anos, com muita probabilidade", afirmou o ministro ao chegar ao hotel da comitiva no pequeno Estado de Goa.

Se triplicado, o comércio com a Índia equivaleria ao do Brasil com a Argentina, que somou US$ 23 bilhões em 2015. Com a China, a balança é de US$ 66 bilhões.

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Segundo Serra, há uma expectativa de "estreitamento comercial e de investimento" para o encontro bilateral, que ocorre na segunda-feira (17), na sequência da Cúpula dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

"É um país imenso, que tem um potencial imenso de importação, de investimentos. É algo que interessa muito ao Brasil", afirmou, citando a área agrícola como um setor para os brasileiros venderem e investirem.

O presidente Michel Temer chegou à Índia por volta das 9h30 (1h em Brasília) deste sábado, acompanhado de Serra, do ministro Blairo Maggi (Agricultura) e da primeira-dama, Marcela. O avião presidencial fez duas paradas para abastecimento -nas ilhas Canárias e na Grécia.

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O ministro Marcos Pereira (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), que também acompanhará Temer na cúpula, já estava na Índia para encontros dos BRICS durante a semana.

Neste sábado, Temer terá um almoço com sete representantes de empresas que participarão da cúpula empresarial dos BRICS - Vale, Marcopolo, Stefanini (softwares), Perto (caixas eletrônicos), Weg (engenharia elétrica e automação) e do Banco do Brasil. À noite, ele participa de um jantar oferecido pelo primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, a Temer e outros chefes de Estado do grupo - Xi Jinping (China), Vladimir Putin (Rússia) e Jacob Zuma (África do Sul).

PROBLEMAS MACROECONÔMICOS

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O chanceler brasileiro reconheceu que os "problemas macroeconômicos" enfrentados por Brasil e Rússia "acabam influenciando o desempenho agregado" dos BRICS, mas observou que, juntos, os cinco países têm um peso "muito grande" na economia mundial.

"Esse é um daqueles momentos decisivos para se avançar, no sentido de conseguir cooperar com a recuperação da economia mundial", disse. "Se a economia mundial não caminha, os BRICS não caminham e nós não caminhamos."

O Brasil, contudo, foi o país do BRICS que teve o pior desempenho no PIB, caindo 3,8% em 2015. A Índia cresceu 7,3% no mesmo período, a China, 6,9%.

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Serra se disse ainda "favorável" à criação de uma agência dos BRICS de classificação de risco -que, segundo o grupo, avaliaria os países em desenvolvimento de uma forma "mais justa" do que as demais.

"Eu concordaria, mas não posso dizer que seja uma posição do governo brasileiro", afirmou. O Ministério da Fazenda vê com reservas a proposta indiana, já que ainda é preciso definir pontos importantes, como a questão de credibilidade do trabalho da agência -e de sua independência dos governos dos BRICS.

Segundo o chanceler brasileiro, porém, o tema "não está na agenda para ser deliberado" nesta cúpula.

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