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Deve-se 'limpar' Aleppo para liberar a Síria, diz ditador Assad

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ditador da Síria, Bashal al-Assad, disse a um jornal russo que se deve continuar "limpando" Aleppo, cidade no norte do país controlada por rebeldes que é alvo de uma ofensiva militar do regime sírio duramente criticada pelo Ocidente.

"É preciso seguir limpando essa área e empurrar os terroristas para a Turquia, para que voltem a seu lugar de origem, ou matá-los. Não há outra opção", disse Assad nesta quinta-feira (13) em entrevista em inglês ao jornal russo "Komsolmolskaya Pravda".

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Segundo o ditador, Aleppo, que é uma das maiores cidades da Síria, "será um importante trampolim" para retomar áreas das mãos de rebeldes em outras partes do país.

Nos últimos meses, Aleppo tem sido a principal frente de batalha da guerra civil que assola a Síria há quase seis anos e que já contabiliza mais de 300 mil mortos.

Há meses, tropas leais ao regime sírio realizam um cerco a partes de Aleppo controladas por rebeldes -estima-se que 270 mil pessoas estejam isoladas nestas áreas. Com o apoio da Rússia, a aviação síria vem bombardeando a cidade, matando centenas de civis e deixando o cenário urbano em ruínas.

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Nesta sexta-feira (14), os moradores de Aleppo acordaram sob uma leva intensificada de ataques aéreos, após um breve período de relativa tranquilidade.

A ONU (Organização das Nações Unidas), pretende levar nas próximas semanas comboios de ajuda humanitária a dezenas de áreas isoladas na Síria. O regime de Damasco, entretanto, vetou o envio de mantimentos às áreas tomadas por rebeldes em Aleppo.

A campanha para retomar a cidade vem sofrendo duras críticas do Ocidente, que oferece suporte a alguns grupos rebeldes em combate.

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Nas últimas semanas, autoridades de EUA, França e Reino Unido têm sugerido que o regime sírio e o governo russo deveriam ser investigados por crimes de guerra em Aleppo.

As divergências em relação à Síria vêm provocando o estremecimento das relações diplomáticas entre a Rússia e o Ocidente. É a primeira vez desde a Guerra Fria que Washington e Moscou, as duas principais potências militares do planeta, ocupam lados opostos em um campo de batalha.

Na entrevista ao jornal russo, Assad disse que a guerra civil na Síria se transformou em um conflito entre potências mundiais.

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"O que temos visto recentemente nas últimas semanas, e talvez nos últimos meses, é algo mais como a Guerra Fria", afirmou o ditador. "Eu não seu como chamá-lo, mas não é algo que tem existido recentemente. Eu não penso que o Ocidente e especialmente os EUA tenham parado sua Guerra Fria, mesmo após a queda da União Soviética."

O presidente dos EUA, Barack Obama, deve ser reunir nesta sexta com seus assessores de política externa para discutir novas estratégias militares para a Síria.

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, se encontrará neste sábado (15) na Suíça com seu colega russo, o chanceler Sergei Lavrov, para tentar retomar as negociações por um cessar-fogo na Síria.

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