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Mãe da cidade de Madaya é 'super-heroína' de HQ sobre a guerra na Síria

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DIOGO BERCITO

MADRI, ESPANHA (FOLHAPRESS) - Nem o jornalista Clark Kent nem o herói Superman vivem hoje em Madaya. Cercada pelo Exército e pela milícia libanesa Hizbullah, essa cidade síria definha há mais de um ano, sem nenhuma perspectiva de ser salva da crise humanitária.

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Mas a cidade, próxima a Damasco, é lar de sua própria super-heroína: a intrépida Madaya Mom, ou a "mãe de Madaya" em português. Madaya Mom é a protagonista de um gibi lançado na segunda-feira (10) pela rede americana ABC News em parceria com a editora Marvel, que publica clássicos das revistinhas como o Homem-Aranha e os X-Men.

A HQ foi desenhada pelo quadrinista Dalibor Talajic a partir dos relatos de uma moradora real de Madaya. O gibi supre, de certa maneira, a ausência de repórteres na cidade para noticiar os dramas cotidianos da cidade.

A pouca informação disponível vem de moradores como a mãe de Madaya, que conversam com a imprensa por telefone ou pela internet.

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A Folha de S.Paulo entrevistou recentemente um jovem sírio que, no mesmo local, narrou agruras como ter de comer folhas de eucalipto para enganar a fome no inverno. Madaya esteve por longos meses inacessível à ajuda humanitária, e recebeu alimentos no mês passado pela primeira vez desde abril.

O cerco foi iniciado em julho de 2015. Desde então dezenas já morreram de fome.

A heroína do gibi batalha para manter sua família, com cinco filhos, nessas condições extremas. Não há eletricidade, por exemplo, e o fogo é alimentado pelos restos dos móveis desmembrados. A identidade dessa mãe é mantida em sigilo, como a do Superman, para sua própria proteção. A HQ é gratuita e está disponível na rede.

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PONTO DE VISTA

Talajic, artista de "Madaya Mom", aproveitou sua própria experiência enquanto desenhava a HQ. Ele cresceu na antiga Iugoslávia durante a sua fragmentação. "Foi fácil me identificar com o ponto de vista civil", diz.

"A guerra tem sempre uma perspectiva atraente em um gibi ou em um filme, quase romântica. Mas não há nada de atraente na guerra, principalmente se você é um civil. Você só pode esperar que ou a guerra acabe, ou sua vida acabe. É um sentimento que eu conheço."

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Talajic não teve acesso a imagens da verdadeira Madaya Mom ou da cidade. Ele inspirou-se em fotografias de outros lugares na Síria.

A realidade e a ficção se alimentam, nesse caso. "Histórias de heróis da vida real nos inspiram a inventar super-heróis imaginários", afirma Talajic. "Ambos têm as mesmas características. Por exemplo, nunca desistem."

"Me diga então, quem é a maior heroína: a Mulher-Maravilha ou a Madaya Mom?"

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